Finanças

Em meio a embate nos EUA, ouro e prata batem recordes

Possibilidade de investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, gerou preocupação no mercado
Em meio a embate nos EUA, ouro e prata batem recordes
Cotação do ouro subiu 2,38% e ficou em US$ 4.617 por onça e a prata alcançou US$ 84,60, alta de 5,9% | Foto: Reprodução Adobe Stock

São Paulo – O ouro e a prata subiram nesta segunda-feira (12) e atingiram novos recordes, enquanto o dólar recuou no mercado internacional após promotores dos Estados Unidos iniciarem uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, aumentando as preocupações sobre a independência do banco central do país.

O ouro chegou a subir 2,38%, para US$ 4.617 por onça-troy, enquanto a prata saltou até 5,9%, alcançando US$ 84,60 por onça-troy.

Ao mesmo tempo, o dólar se desvalorizou até 0,5% no exterior. O índice DXY, que mede a força da moeda frente a seis divisas globais, registrou queda de 0,46% na mínima do dia, por volta das 10h.
O mercado acionário dos Estados Unidos apresentou instabilidade ao longo do pregão. No início das negociações, o S&P 500 recuava 0,46%, o Nasdaq 100 caía 0,64% e o Dow Jones perdia 1%. À tarde, porém, as bolsas inverteram o sinal e passaram a registrar alta.

Por volta das 16h, o S&P 500 subia 0,16%, o Nasdaq 100 avançava 0,14%, enquanto o Dow Jones oscilava, com alta de 0,06%.

Na Europa, as ações fecharam com leve recuo, apesar de o índice continental STOXX 600 avançar 0,2%, aos 610,95 pontos. Já o rendimento do título do Tesouro norte-americano de dez anos – que se move de forma inversa ao preço, subiu 0,03 ponto percentual, para 4,2%.

“Já passamos por isso antes. Pressão política sobre o Fed significa um dólar americano mais fraco, rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro de longo prazo e expectativas de inflação elevadas”, afirmou o gestor de fundos da FidelityInternational, Mike Riddell.

No domingo, Powell declarou que o Fed recebeu intimações de um grande júri e uma ameaça de acusação criminal do Departamento de Justiça, relacionadas ao seu testemunho no Congresso sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do banco central.

“O Fed, como o entendemos enquanto instituição nas últimas décadas, está desaparecendo de vista. Está operando em um ambiente diferente”, afirmou o economista-chefe e chefe de pesquisa do ANZ, Richard Yetsenga.

Analistas do ING afirmaram que, embora os riscos para o dólar sejam “significativos”, os mercados operam em “modo de espera” enquanto avaliam os impactos. “Os mercados ainda não estão prontos para precificar uma perda de independência do Fed”, disse o estrategista de câmbio do ING, Francesco Pesole.

O recorde histórico do ouro ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas, que alimentam a demanda pelo metal. O ativo passou a integrar o chamado “comércio de desvalorização”, diante do receio de que a pressão política sobre o Fed para manter os juros artificialmente baixos leve à perda de valor dos ativos denominados em dólar.

“O ouro é o principal ativo de risco geopolítico, mais do que qualquer outro”, afirmou o diretor de investimentos para a Ásia da Lombard Odier, John Woods. “Há simplesmente muito risco geopolítico no mercado neste momento.”

Pouco mais de uma semana após forças dos Estados Unidos capturarem o ditador venezuelano Nicolás Maduro, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que considera operações militares no Irã, em resposta à repressão do regime aos protestos nacionais.

Juros

A investigação do Departamento de Justiça contra Powell ocorre em meio à campanha da administração Trump para forçar o Fed a cortar os juros de forma mais agressiva, apesar das preocupações persistentes com um eventual reacendimento da inflação.

Woods avalia que o ouro deve seguir volátil, diferentemente de títulos, ações ou petróleo. “Parece-me que esses ativos de risco tradicionais ignoram esse tipo de risco geopolítico, o que não ocorre com o ouro. Ele é único nesse aspecto”, concluiu.

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