Ouro mantém trajetória de alta e avança quase 7% nas primeiras semanas de 2026
O preço do ouro já registrou um aumento considerável apenas na primeira quinzena de 2026. O cenário segue a tendência dos últimos anos, com destaque para 2025, quando a cotação do metal precioso chegou a variar cerca de 80%.
“O ouro já acumula aumento de 6,85% em 2026”, afirmou o estrategista macro da Genial Investimentos, Roberto Motta, que também ressalta que a valorização da prata nestas duas primeiras semanas do ano já foi de 23%.
Especialistas apontam que esse salto é fortemente influenciado pelo cenário político internacional, principalmente pelas guerras entre Rússia e Ucrânia, Israel e Hamas, as tensões com o Irã e até questões comerciais, como as sobretaxas que o presidente norte-americano, Donald Trump, aplicou a diversos países.
“O ouro vem em uma escalada de valorização nos últimos cinco, sete anos, por conta das crises globais que estamos tendo, principalmente depois que o Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Com essas crises, o ouro é um porto seguro para os investidores que, nesses momentos, partem para uma aplicação mais segura”, avaliou o economista da instituição financeira Ourominas, Mauriciano Cavalcante.
A instabilidade política faz com que não apenas investidores busquem apostar no metal para maior segurança financeira, mas também bancos centrais. De acordo com Cavalcante, as autoridades monetárias dos países membros do Brics investiram fortemente na reserva de ouro, o que ajuda o mercado a ter uma projeção de alta.
Motta segue a mesma linha. Ele classificou o ano de 2025 para o setor de commodities metálicas como “espetacular” e afirmou que o desempenho “deve continuar brilhando ao longo de 2026”. “Os bancos centrais já têm mais ouro em seus portfólios do que títulos públicos da dívida americana e vão continuar comprando”, afirmou.
Cavalcante menciona o recente tensionamento das relações entre Estados Unidos e Irã, quando o governo americano vem ameaçando invadir militarmente o país asiático, como um exemplo de como as questões internacionais afetam o mercado do ouro.
Enquanto, na terça-feira (13), antes das ameaças de Donald Trump, a grama do ouro era comercializada a R$ 795, na quarta-feira (14), o preço já havia saltado para R$ 803, um aumento de 1%. O economista destaca que o aumento da onça de ouro – unidade de massa para metais preciosos equivalente a 31,103 g – é ainda mais significativo.
Já Motta aponta a emissão de moeda fiduciária como o principal motivo para o aumento vertiginoso no preço do ouro.
“Para mim, o principal motivo é a tese das moedas fiduciárias, que é quando os investidores estão percebendo que nenhum país do mundo tem condição de formar uma coalizão política para aprovar uma reforma fiscal. Como não conseguem, os países continuam aumentando seus gastos e se endividando para isso. Com o crescimento das dívidas, as pessoas começam a questionar se vale a pena continuar tendo a mesma quantidade de dívida pública desses países e passam a optar por ativos reais”, analisou.
Qual vantagem de investir em ouro?
O economista da Ourominas aponta que o investimento em ouro e em outros metais preciosos é uma das formas mais seguras, inclusive acima de moedas como o dólar.
“Hoje, o ouro é o melhor. O dólar também é um bom investimento em tempos de crise, mas o ouro está batendo recordes. Neste ano, ele está em primeiro lugar. No ano passado, teve uma valorização de 76% ao longo de um ano”, comentou Cavalcante.
Uma das vantagens é a liquidez. Em meio a crises constantes que vêm se espalhando pelo mundo, o economista afirma que houve uma mudança no perfil do investimento relacionado ao ouro.
Antes, esse tipo de aplicação era aconselhada para médio e longo prazos, mas, no atual cenário, até o investimento de curto prazo passou a ser uma opção. “Se você aplicar hoje, daqui a um mês pode ter uma valorização muito acima do que o mercado está pagando hoje em um investimento em Certificado de Depósito Bancário (CDB).”
Outro hábito que sofreu mudanças no setor foi o aconselhamento de que investidores mantivessem cerca de 10% da carteira em ouro, algo comum há cinco anos. Atualmente, já há sugestões para que esse percentual seja elevado para 30%.
Contudo, Cavalcante alerta que pode haver um recuo no preço do ouro caso ocorra uma calmaria política internacional inesperada, algo que, ao menos no momento, não parece estar no horizonte.
“É um investimento que depende muito das crises. Se amanhã o Trump sentar com o presidente do Irã e chegarem a um acordo, isso pode fazer o ouro recuar. Mas, infelizmente, nos últimos anos estamos vendo crise atrás de crise, e o ouro segue subindo”, afirmou.
Ouro, joias e segurança
O economista da Ourominas alerta que comprar ouro para investimento não é o mesmo que ter uma joia em casa e destaca que o Banco Central (BC) autoriza algumas empresas a negociar e vender o metal. Essas instituições também podem, caso seja da vontade do investidor, fazer a custódia do ativo.
“A pessoa não precisa ter uma barra de ouro em casa. Há empresas que fazem a custódia desse metal. Se você comprar ouro da empresa, pode pedir para que ele seja enviado ou retirar na empresa, mas também pode deixar custodiado com a própria instituição”, afirmou Cavalcante.
Ouça a rádio de Minas