Atlético e Cruzeiro movimentam R$ 1,4 bilhão, mas seguem fora da elite bilionária do futebol
Mesmo com duas das maiores torcidas do País, Atlético e Cruzeiro ainda não integram o seleto grupo de clubes brasileiros que ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão em receitas anuais. Segundo o Levantamento Financeiro de Clubes Brasileiros 2025, elaborado pela EY, o Galo encerrou o ano passado com receita de R$ 768 milhões, enquanto a Raposa registrou R$ 678 milhões. Juntas, as duas equipes movimentaram R$ 1,44 bilhão e aparecem na sétima e na nona posições do ranking nacional, respectivamente.
O estudo reúne as 20 agremiações da Série A do Campeonato Brasileiro (lista abaixo) e mostra que elas arrecadaram, ao todo, R$ 14,9 bilhões em 2025. Quase metade desse montante está concentrada em apenas cinco equipes: Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense, todas com receitas superiores a R$ 1 bilhão. As equipes rubro-negra e alviverde se mantiveram nas primeiras posições em quatro dos últimos cinco anos do levantamento.
A receita total dos clubes é composta pela soma dos valores recebidos por cada equipe nas seguintes categorias:
- transferências de jogadores (receita bruta oriunda da venda ou empréstimo dos direitos federativos dos atletas);
- direitos de transmissão dos campeonatos e premiações;
- receitas comerciais (faturamento proveniente de patrocínios, royalties de produtos licenciados, lojas, mídias digitais, vendas de camisas e publicidades);
- matchday (receitas provenientes de bilheteria, programas de sócio-torcedor, camarotes, cadeiras cativas, alimentos e bebidas, bem como outras receitas geradas em dias de jogos);
- clube social e esportes amadores (receitas decorrentes de clubes de lazer e/ou de outras modalidades esportivas, não aplicáveis a determinados clubes);
- outras receitas (ganhos provenientes da Timemania, aluguéis, doações, locações de estádios para eventos, bem como outras receitas não enquadradas nas demais categorias).

Arena MRV pode ter impulsionado caixa do Atlético; área comercial é destaque no Cruzeiro
Quando as receitas de Atlético e Cruzeiro são analisadas separadamente, a principal fonte de recursos do Galo é a categoria de outras receitas, que somou R$ 236 milhões em 2025. O resultado pode ter sido impulsionado, sobretudo, pela locação da Arena MRV, estádio de propriedade do clube, para a realização de eventos.
Na outra ponta, as receitas comerciais do Atlético alcançaram R$ 58 milhões, o menor valor entre todas as fontes de arrecadação da equipe alvinegra. Já o Cruzeiro obteve R$ 332 milhões nessa mesma categoria, valor que corresponde à maior fatia do faturamento do clube celeste e é quase seis vezes superior ao registrado pelo Atlético.
Atlético lidera ranking nacional de endividamento
Além da evolução das receitas, o estudo evidencia o aumento do endividamento dos clubes brasileiros. A dívida líquida do conjunto das equipes passou de R$ 9,8 bilhões em 2021 para R$ 14 bilhões em 2025, crescimento de aproximadamente 43%. O Atlético Mineiro lidera o ranking nacional, com R$ 2,28 bilhões em dívida líquida no ano passado. Botafogo (R$ 2 bilhões) e Corinthians (R$ 1,53 bilhão) aparecem na segunda e na terceira posições, respectivamente. No caso do clube paulista, a EY ressalta que os passivos relacionados à Neo Química Arena, estádio de propriedade do time, não estão incluídos no cálculo.
Já o Cruzeiro ocupa a 15ª posição, com dívida líquida de R$ 335 milhões.
O Levantamento Financeiro de Clubes Brasileiros 2025 tem como objetivo oferecer uma visão abrangente do contexto econômico-financeiro e do desempenho dos clubes brasileiros de futebol no ano passado.
Segundo a EY, as informações consolidadas foram obtidas a partir da análise das demonstrações financeiras divulgadas pelas próprias equipes em seus sites oficiais e/ou nos portais das respectivas federações estaduais. A empresa ressalta que o estudo tem caráter exclusivamente informativo e não representa auditoria, asseguração ou qualquer juízo de valor sobre as informações publicadas.
Empresa global de auditoria e consultoria, a EY produz estudos econômicos e setoriais, além de prestar serviços nas áreas de estratégia, transações e tributos para empresas e governos.
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