Sigma Lithium obtém garantia de banco brasileiro para acessar R$ 487 milhões do BNDES
A Sigma Lithium, a maior mineradora de lítio do Brasil, anunciou nesta quinta-feira (2) que um grande banco brasileiro aceitou ser o fiador da empresa em um empréstimo de R$ 487 milhões anunciado ainda em 2024 com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Como a Folha reportou no ano passado, a mineradora tinha dificuldades de obter a garantia com instituições financeiras devido à queda do preço do lítio no mercado mundial.
Agora, a garantia concedida permitirá que a Sigma tenha acesso aos recursos do Fundo Clima, administrado pelo BNDES para projetos ligados à economia verde. Os recursos permitirão que a empresa aumente sua atual produção de concentrado de lítio, de 270 mil toneladas anuais para 520 mil toneladas.
A mineradora não anunciou qual banco brasileiro concederá a garantia. Em comunicado a investidores, a empresa afirmou que a garantia bancária deverá ser colateralizada por seus clientes, por meio de uma combinação de garantias corporativas, cartas de crédito e recebíveis de exportação.
A Sigma Lithium opera um complexo minerário na região do Vale do Jequitinhonha (MG), onde outras mineradoras também têm projetos para começar a extrair lítio nos próximos anos e onde a CBL (Companhia Brasileira de Lítio) atua. A empresa é listada nas bolsas de Toronto e na Nasdaq e tem como principal acionista uma gestora de recursos ligada à CEO Ana Cabral.
O atraso na obtenção da garantia atrapalhou os planos da mineradora, que pretendia concluir a ampliação ainda no ano passado. Sem os recursos, no entanto, não foi possível passar da terraplanagem -além disso, problemas recentes com o Ministério do Trabalhou impediram a continuidade das atuais operações.
O valor a ser disponibilizado pelo BNDES cobre quase todos os investimentos para a ampliação e é visto como essencial pela empresa. O crédito, anunciado à época, previa uma taxa de juros anual de 7,45% por 16 anos, bem abaixo da atual taxa Selic, de 14,75%. No ano passado, a Folha apurou que a empresa precisaria obter a garantia até abril deste ano para não perder o empréstimo.
Devido a uma expansão de carros elétricos menor do que prevista inicialmente por investidores, o preço do lítio chegou a cair 90% nos últimos três anos. Em 2023, a tonelada do espodumênio concentrado -nome dado ao produto vendido pela Sigma- chegou a ser vendida a US$ 8.300, mas o preço cai para US$ 610 em junho do ano passado. Nesta quinta, a tonelada do mineral brasileiro está cotada a US$ 2.290 na Bolsa de Metais de Xangai.
O Brasil tem 1% das reservas globais de lítio, segundo o Serviço Geológico dos EUA. O país, no entanto, é responsável por 4% de toda a produção mundial.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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