A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deu um passo decisivo em sua consolidação institucional ao ter autorizado o primeiro concurso público da história voltado à sua carreira própria. A medida foi formalizada por portaria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (24).
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O concurso oferecerá 50 vagas para o cargo de Especialista em Regulação de Proteção de Dados, carreira criada pela Lei nº 15.352/2026 para compor o quadro permanente da agência. A posição exige formação de nível superior e tem remuneração inicial de R$ 17.726,42, patamar que coloca o cargo entre os mais atrativos do funcionalismo federal de nível superior e tende a aquecer a concorrência entre candidatos.
Vagas disponíveis
Das 50 vagas autorizadas, 31 serão destinadas à ampla concorrência. As demais seguem critérios de cotas: 13 para pessoas negras (pretos e pardos), três para pessoas com deficiência (PCD), duas para indígenas e uma para quilombolas.
Pelos prazos definidos na Portaria MGI nº 5.092/2026, o edital deverá ser publicado em até seis meses, e a aplicação das provas ocorrerá no mínimo dois meses após essa publicação. A nomeação dos aprovados dependerá da homologação do resultado final e da disponibilidade orçamentária e financeira da agência.
A autorização é apenas a primeira etapa de um esforço maior: o provimento dos 200 cargos efetivos criados para a ANPD pela Lei nº 15.352/2026. Em maio deste ano, a agência havia encaminhado ao MGI o pedido para o preenchimento integral dessas posições, consideradas essenciais para sua estruturação definitiva.
Funcionamento da Agência Nacional de Proteção de Dados
O concurso integra um conjunto de medidas para ampliar a capacidade institucional da ANPD. Neste mês, a agência recebeu 19 analistas técnicos do Poder Executivo Federal aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). A esse reforço soma-se a contratação de 213 profissionais temporários, por meio de processo seletivo simplificado realizado em 2025, cujas convocações seguem em andamento.
A ampliação do pessoal ganha relevância diante do crescimento acelerado das demandas ligadas à proteção de dados, à governança digital e à regulação de plataformas. Além de executar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), a ANPD assumiu papel central na implementação de novas políticas do ambiente digital, como o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) e os decretos federais que regulamentam aspectos do Marco Civil da Internet e estabelecem diretrizes para a proteção de mulheres nos ambientes digitais.
Para o diretor-presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves, a incorporação gradual de servidores efetivos permite construir uma estrutura compatível com a relevância e a complexidade das atribuições da agência.
“A autorização do primeiro concurso público da história da ANPD representa um marco na consolidação institucional da agência. Para fortalecer nossa capacidade de orientar, regular e fiscalizar a efetivação dos direitos fundamentais de liberdade, privacidade e proteção de dados pessoais dos cidadãos, é necessária uma estrutura permanente, especializada e compatível com a complexidade dos desafios da transformação digital. Assim poderemos contribuir, de forma efetiva, para um ambiente digital mais seguro, transparente e confiável para todos os brasileiros”, afirmou.