O transporte suplementar de Belo Horizonte corre o risco de ter a frota paralisada a partir desta sexta-feira (10), segundo o Consórcio Operacional do Serviço de Transporte Suplementar (Transuple). A entidade afirma que a falta de repasses financeiros e a retenção de recursos tem comprometido a operação dos permissionários, que enfrentam dificuldades para abastecer os veículos, realizar manutenções e contratar motoristas.
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De acordo com o consórcio, a situação pode afetar diretamente a circulação dos micro-ônibus que atendem diversas regiões da capital, caso o impasse financeiro não seja resolvido.
Impasse do transporte suplementar envolve recursos repassados durante a pandemia
Segundo o Transuple, a disputa está relacionada aos recursos destinados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em 2020 para garantir a continuidade do transporte coletivo durante a pandemia de Covid-19.
Na época, dos R$ 222,4 milhões destinados a todo o sistema de transporte, cerca de R$ 17 milhões foram direcionados ao transporte suplementar por meio da compra antecipada de créditos de vale-transporte. O consórcio afirma, porém, que parte desses valores passou a ser cobrada posteriormente pela Transfácil, responsável pelo sistema de bilhetagem eletrônica da capital.
Ainda conforme a entidade, a retenção de receitas dos permissionários para “quitar a dívida” já soma aproximadamente R$ 14 milhões, comprometendo o equilíbrio financeiro dos operadores.
Categoria diz que operação está ameaçada
O Transuple afirma que a retenção dos recursos inviabiliza a manutenção da atividade, já que os permissionários dependem da arrecadação diária para manter os veículos em circulação.
Segundo a presidente da entidade, Jaesilaine Medina, o cenário já provoca reflexos na prestação do serviço: “O descumprimento de horários, o envelhecimento da frota e a extinção de linhas já é reflexo deste cenário”.
Atualmente, das 330 permissões concedidas pela Prefeitura de Belo Horizonte, apenas 214 veículos estariam operando regularmente, de acordo com o consórcio.
Diante do impasse, a entidade informou que acionou a Justiça e pede uma solução por parte da PBH para evitar a interrupção do serviço enquanto o processo é analisado.
A administração municipal informou que mantém diálogo permanente com os permissionários e com o Transuple para discutir a cobrança dos valores relacionados à compra antecipada de vales-transporte realizada em 2020.
Até o momento, porém, não houve anúncio de um acordo que encerre o impasse financeiro apontado pela categoria.