A Lagoa da Pampulha, cartão-postal de Belo Horizonte e integrante do conjunto arquitetônico reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, vai receber um projeto, com base científica, para sua recuperação. O Missão Pampulha foi oficialmente lançado no dia 13 de julho, em cerimônia de assinatura no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), reunindo autoridades, pesquisadores e representantes dos municípios envolvidos. A iniciativa conta com investimento de R$ 27 milhões ao longo de três anos e envolve mais de 340 pesquisadores de diferentes formações.
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O que o projeto Missão Pampulha prevê
O Missão Pampulha será executado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas também reúne pesquisadores de outras instituições mineiras, como a UEMG e a UFLA.
No total, serão 120 pesquisadores diretos, dos quais 30 são professores, além de mestres e doutores atuando em 58 atividades previstas no plano de trabalho.
Entre as ações estão o monitoramento contínuo da qualidade da água da lagoa, incluindo análise da profundidade (topobatimetria), estudo de sedimentos, medições de gases e odores, avaliação da biodiversidade e identificação de riscos à saúde.
Os resultados servirão de base para que as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem desenvolvam políticas públicas mais efetivas para a recuperação definitiva da região.
O projeto é fruto de uma parceria firmada entre o Estado de Minas Gerais, os municípios de Belo Horizonte e Contagem, a Copasa e o TCEMG, que encomendou uma auditoria sobre as ações de recuperação da lagoa, identificando a necessidade de melhorar a coordenação e o monitoramento entre os diferentes órgãos envolvidos.
Uma lagoa que guarda décadas de desafios
Inaugurada em 1938 como reservatório para conter inundações na região, a Lagoa da Pampulha rapidamente se tornou o principal polo de lazer e convivência de Belo Horizonte. O complexo arquitetônico ao seu redor, projetado na gestão de Juscelino Kubitschek na década de 1940, consolidou a área como símbolo da cidade.
O crescimento urbano acelerado e sem planejamento adequado de saneamento básico, no entanto, trouxe consequências graves. Ainda hoje, a lagoa continua recebendo esgoto de Belo Horizonte e de indústrias de Contagem, embora avanços recentes tenham sido registrados. A bacia da Pampulha abrange cerca de 96 km², concentra centenas de nascentes e impacta aproximadamente 460 mil pessoas.
Avanços recentes dão esperança
Apesar do histórico de degradação, há sinais de melhora. Segundo a Prefeitura de BH, em junho do ano passado, o Índice de Qualidade da Água da Pampulha atingiu 82, classificação considerada ótima.
O resultado permitiu a retomada das atividades náuticas de contemplação após mais de 50 anos de proibição, com o início dos passeios públicos com o catamarã Capivarã no ano passado.
O Missão Pampulha representa, agora, uma aposta robusta para transformar esses avanços pontuais em recuperação definitiva da lagoa, com base científica para orientar as decisões públicas nos próximos anos.