Economia Geral

Guerra no Irã afeta Tapira e reduz royalties

Redução nas operações da Mosaic por falta de enxofre derruba repasses de CFEM e ameaça os R$ 20 milhões previstos no orçamento do município em 2026.

3 min de leitura
Mosaic, com operações reduzidas por conta da guerra no Irã.
Foto: Mosaic/Divulgação

Um conflito a milhares de quilômetros de distância já mexe diretamente nas contas públicas de Tapira, no Triângulo Mineiro. A guerra no Irã afeta Tapira porque prejudicou o fornecimento de uma matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes na cidade, o que derrubou os royalties de mineração recebidos pelo município e colocou o orçamento local sob forte pressão.

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Na última semana, a Agência Nacional de Mineração (ANM) repassou a Tapira apenas R$ 167 mil a título de Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).

O valor está bem abaixo das parcelas mensais recebidas ao longo de 2026, que variaram entre R$ 766 mil e R$ 1 milhão.

Como a guerra no Irã afeta Tapira e o orçamento da cidade

O problema começa na Mosaic, mineradora responsável pela extração e pelo processamento de fosfato em Tapira, usado na fabricação de fertilizantes agrícolas.

Desde junho, a empresa reduziu suas operações no Brasil diante da dificuldade para obter enxofre, matéria-prima essencial na produção de fertilizantes fosfatados.

O conflito no Irã agravou as dificuldades do mercado internacional de enxofre, afetando tanto o fornecimento quanto os preços do insumo.

Com o custo mais alto, a Mosaic precisou reajustar o preço de seus produtos, o que reduziu a demanda por fertilizantes e tirou parte da atratividade econômica das operações da empresa no país.

Município já perdeu mais da metade dos royalties previstos

Para 2026, Tapira havia projetado receita total de R$ 93,5 milhões, dos quais R$ 20 milhões viriam apenas da CFEM. Com a queda nos repasses, menos da metade desse valor entrou de fato nos cofres da prefeitura até agora, segundo levantamentos publicados por veículos que acompanham a administração municipal.

A situação fica ainda mais delicada porque Tapira também deixou de receber, desde maio, os repasses da ANM destinados a municípios afetados, categoria que reúne cidades com instalações ligadas à mineração, como usinas de beneficiamento e ferrovias, mesmo sem abrigar as reservas minerais em si.

Segundo a agência, o atraso nesses pagamentos ocorreu por indisponibilidade temporária de seus sistemas entre abril e julho, mas o valor é relevante para o município, que recebe como afetado quantias próximas às que arrecada como produtor.

Em nota, a Mosaic informou que a queda na produção está relacionada a restrições globais no fornecimento de enxofre. Segundo a empresa, o cenário envolve instabilidade geopolítica, dificuldades nas rotas marítimas internacionais, aumento da demanda mundial pelo insumo e forte pressão sobre os custos, o que tornou necessários ajustes temporários na produção em Tapira.

Por que isso importa para o município

O caso de Tapira mostra como a economia de cidades pequenas pode ficar exposta a fatores completamente fora do controle local.

Como boa parte da arrecadação municipal depende diretamente da atividade de uma única mineradora, qualquer oscilação no mercado internacional de matérias-primas, como o enxofre, chega rápido ao orçamento da prefeitura, afetando desde a folha de pagamento até investimentos em infraestrutura e serviços públicos.

Enquanto a guerra no Irã não dá sinais de solução no curto prazo, a expectativa em Tapira é que o mercado de enxofre se estabilize e a Mosaic retome o ritmo normal de produção, o que ajudaria o município a recuperar parte dos royalties perdidos ainda em 2026.

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