Geral

Investigação revela estrutura empresarial usada por família para tráfico de cocaína

Organização usava caminhões registrados em nome de terceiros, transportadoras de fachada e contas bancárias de laranjas para movimentar carregamentos e ocultar patrimônio ilícito

4 min de leitura
Caminhões transportadores. Foto: PF/Divulgação
Caminhões transportadores. Foto: PF/Divulgação

Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou que uma organização criminosa supostamente liderada por Mario Sergio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”, operava com uma sofisticada estrutura empresarial para o tráfico de cocaína entre estados brasileiros e a lavagem de dinheiro. O esquema envolvia caminhões, carretas, transportadoras de fachada, motoristas recrutados e contas bancárias de terceiros para movimentar grandes carregamentos da droga e ocultar o patrimônio obtido de forma ilícita. A organização atuava de maneira coordenada, distribuindo funções entre familiares e pessoas de confiança para dificultar a identificação dos líderes e a rastreabilidade dos recursos.

✅ Siga o nosso canal no WhatsApp

A estrutura logística do tráfico

A PF detalhou que a logística do grupo era sustentada por uma frota de caminhões e semirreboques registrados em nome de terceiros. Muitos desses veículos estavam em nome de motoristas, empresas ou indivíduos sem renda compatível com a aquisição dos bens, o que reforça a suspeita de uso de laranjas para esconder o patrimônio da organização criminosa.

Além disso, transportadoras eram utilizadas para dar aparência de legalidade às operações. Essas empresas, no entanto, apresentavam indícios de funcionamento irregular, sem funcionários registrados e com movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada. A estrutura empresarial servia, na prática, como fachada para legitimar o fluxo de veículos e cargas entre os estados.

Os motoristas recrutados desempenhavam papel central na logística, transportando a cocaína escondida em compartimentos falsos nas cabines dos caminhões ou em pneus sobressalentes. Esse padrão operacional foi identificado de forma recorrente ao longo das investigações da PF, indicando um método bem estabelecido e replicado em diferentes carregamentos.

Apreensões e movimentação financeira

Ao longo das investigações, foram apreendidas mais de 2 toneladas de cocaína, em carregamentos que variavam de 125 quilos a 425 quilos por ocorrência. Apesar do volume expressivo, a Polícia Federal estima que essa quantidade representa apenas uma pequena fração dos entorpecentes efetivamente movimentados pelo grupo ao longo do tempo, o que indica a escala e a continuidade das operações criminosas.

A investigação também apontou a participação de familiares e pessoas próximas a Mario Sergio Nunes na movimentação financeira do esquema. Contas bancárias de terceiros eram usadas para circular recursos do tráfico, e empresas registradas em nome de parentes e aliados serviam para ocultar o patrimônio. Entre os indícios levantados, a PF identificou uma transferência de R$ 120 mil feita por Mario Sergio Nunes diretamente para uma empresa de fachada, operação que reforça a suspeita de lavagem de dinheiro.

O roteiro da cocaína

As cargas saíam principalmente de estados estratégicos para o narcotráfico, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, regiões conhecidas como corredores de entrada da droga produzida na América do Sul, com destino a Minas Gerais. Uberlândia funcionava como o principal centro operacional da organização, sendo responsável por receber, armazenar e redistribuir a droga para municípios do Triângulo Mineiro e outros estados do país. A escolha de Uberlândia não é casual: a cidade é um dos maiores entroncamentos logísticos do Brasil, o que facilita tanto o transporte quanto a dissimulação das cargas.

Lavagem de dinheiro e padrão de vida incompatível

A PF suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor. Durante a operação, foram apreendidos veículos importados, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais e um motorhome de luxo avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão. Mais recentemente, um cavalo de competição avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil e um segundo flutuante motorizado também foram apreendidos.

Os investigados mantinham um padrão de vida incompatível com a renda declarada oficialmente. Mario Sergio Nunes e sua filha Brenda foram presos em um hotel em Uberaba. Brenda é apontada pela PF como braço direito do pai na estrutura criminosa, tendo papel ativo na gestão financeira do esquema.

Posição da defesa

O advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo, e que a família confia nas instituições e está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A defesa de Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro apontado como laranja na organização, também se manifestou publicamente, reforçando a presunção de inocência e a confiança no sistema de justiça.

Conteudos relacionados

Geral

Juiz de Fora divulga datas da vistoria obrigatória para táxis em 2026

Vista aérea de Belo Horizonte com céu nublado e chuva ao fundo ilustra a previsão do tempo em BH

Geral

BH acorda com sensação de 2 °C e chega a 28 °C ainda esta semana

Economia

Problemas com a Cemig e Copasa? Mutirão abre inscrições para atender consumidores em BH e mais 5 cidades de MG