Economia

Samsung encerra vendas de eletrodomésticos após perder espaço para rivais locais

Gigante sul-coreana encerrou vendas de TVs, geladeiras, lavadoras e toda a linha branca na China diante de avanço de marcas chinesas concorrentes

3 min de leitura
Samsung encerra vendas de TVs e eletrodomésticos na China | Foto: Divulgação

A Samsung confirmou o encerramento das vendas de eletrodomésticos na China. Com um comunicado de menos de 200 palavras, a gigante sul-coreana anunciou a saída silenciosa do maior mercado industrial do mundo, encerrando décadas de presença em um segmento onde perdeu espaço progressivamente para rivais locais como TCL, Hisense e Xiaomi.

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A retirada inclui televisores, monitores, displays comerciais, ar-condicionados, geladeiras, lavadoras, secadoras, soundbars, projetores e aspiradores. Ou seja, praticamente toda a linha de eletrodomésticos da empresa. De agora em diante, a marca comercializará no mercado chinês apenas os negócios de smartphones e memória semicondutora.

A decisão não foi repentina, visto que, em março, a Samsung esteve ausente da AWE, a principal feira chinesa de eletrodomésticos e eletrônicos, o que foi interpretado pelo mercado como sinal claro de retração estratégica. Fontes próximas à empresa revelaram que alguns distribuidores já haviam recebido ordens, semanas antes, para interromper a reposição de estoques e liquidar produtos remanescentes.

A Samsung China publicou em seu site que, “diante das rápidas mudanças do mercado”, decidiu interromper as vendas de todos os produtos de linha branca e eletrônicos domésticos no país.

Como a Samsung perdeu o mercado chinês de eletrodomésticos

Em 2013, a Samsung liderava o mercado chinês de TVs com mais de 18% de participação. Treze anos depois, sua fatia caiu para 3,62%. Em geladeiras e máquinas de lavar, a situação foi ainda mais dramática, com a participação de mercado despencando para menos de 0,5%.

A empresa perdeu o ritmo das transformações do mercado local, especialmente na transição tecnológica de LCD para OLED e depois para Mini LED. 

Para agravar a situação, a Samsung se recusou a adaptar seus eletrodomésticos ao perfil do consumidor chinês. Enquanto 60% do mercado de TVs na China está em faixas de preço mais acessíveis, a empresa insistiu no segmento premium, criando um descompasso entre preço e experiência que afastou gradualmente os consumidores.

A ascensão das rivais chinesas

Nos últimos anos, marcas chinesas como TCL, Hisense, Xiaomi e Skyworth travaram uma guerra feroz de preços e inovação tecnológica. Inicialmente dominaram o mercado com produtos de alto custo-benefício e depois consolidaram liderança por meio de avanços tecnológicos e forte adaptação ao consumidor local. 

As marcas locais lideraram a adoção do Mini LED, tecnologia que já representa 31,8% das vendas e 55,4% do faturamento do mercado chinês de eletrodomésticos. Em comparação, as TVs OLED, que é a principal aposta da Samsung, representam apenas 0,2% do volume vendido no país.

O que acontece agora

Distribuidores afirmam que os estoques devem acabar após o festival de compras “618”, (tradicional no calendário de comércio chinês, com realização anual em junho), o que pode provocar alta temporária de preços. Ao mesmo tempo, a Samsung iniciou uma nova rodada de demissões na China. Segundo fontes internas, as indenizações oferecidas estão abaixo das expectativas dos funcionários.

Quanto ao pós-venda, a empresa afirmou que continuará prestando suporte aos produtos já vendidos conforme exigido pela legislação chinesa. A retirada da Samsung do mercado de eletrodomésticos na China é o retrato de como a indústria chinesa reconfigurou o mercado global de eletrônicos de consumo em menos de uma década.

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