Legislação

Crédito consignado lidera denúncias no Procon da ALMG em 2025, seguido por cartão de crédito

Levantamento indicou que a principal causa das reclamações em 2025 foi a cobrança indevida ou abusiva
Crédito consignado lidera denúncias no Procon da ALMG em 2025, seguido por cartão de crédito
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O empréstimo consignado foi o principal alvo de reclamações registradas pelo Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2025. Das 2.827 queixas recebidas pelo órgão ao longo do ano, 206 envolveram esse tipo de crédito, o equivalente a 7,29% do total. Quando somadas às reclamações relacionadas a empréstimo pessoal, o índice sobe para 11,15%.

Na sequência do ranking aparecem os problemas com cartão de crédito, que concentraram 194 registros, ou 6,86% das reclamações. Em terceiro lugar, estão as associações de aposentados, responsáveis por 145 queixas, principalmente relacionadas a descontos não autorizados, o que representa 5,13% do total. Também figuram entre os segmentos mais reclamados os setores de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com 4,42%, e os pacotes combinados de TV por assinatura, telefonia e internet, com 4,1%.

Segundo o levantamento do Procon Assembleia, a principal causa das reclamações em 2025 foi a cobrança indevida ou abusiva. Esse tipo de problema respondeu por 1.124 registros, o equivalente a 40,1% de todas as queixas. Também tiveram destaque os relatos de descumprimento contratual, fraudes e atraso ou não entrega de produtos.

No recorte por empresas, o ranking de reclamações foi liderado pelas seguintes instituições:

  • Claro: com 93 registros
  • Vivo: com 88 registros
  • Copasa: com 85 registros
  • Banco BMG: com 81 registros
  • Caixa Econômica Federal: com 75 registros

Além das queixas envolvendo fornecedores regulares, o Procon Assembleia identificou aumento na procura de consumidores, principalmente idosos, para relatar golpes financeiros. Nesses casos, as denúncias são encaminhadas à Delegacia de Polícia de Defesa do Consumidor para apuração criminal.

Para o coordenador do Procon da Assembleia, Marcelo Barbosa, a atenção da família é um fator decisivo na prevenção. Segundo ele, golpistas costumam se passar por funcionários de instituições financeiras para obter dados pessoais das vítimas. “Nunca responda. Desligue o telefone ou apague a mensagem e bloqueie o remetente”, orienta o coordenador.

Como se prevenir de problemas com cartão de crédito e empréstimo consignado

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS) orienta que o consumidor adote cuidados básicos ao utilizar o cartão de crédito.

No uso do cartão de crédito

Antes de realizar compras, é importante verificar se o valor cabe no orçamento mensal. O pagamento integral da fatura evita a incidência de juros no mês seguinte. Em viagens, a comunicação prévia ao banco reduz o risco de bloqueios por suspeita de fraude. A fatura deve ser conferida mensalmente e qualquer despesa não reconhecida precisa ser comunicada imediatamente à administradora.

A senha do cartão é pessoal e não deve ser compartilhada. Também é recomendado guardar comprovantes de compras, controlar gastos parcelados e comunicar imediatamente a central de atendimento em caso de perda ou roubo.

Ainda, a entidade aconselha que o pagamento mínimo da fatura seja usado apenas em situações emergenciais, já que o saldo remanescente sofre incidência de juros.

Cuidados na contratação do crédito consignado

Também atento ao assunto, o Procon do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MPMG) divulgou uma cartilha para alertar as pessoas sobre os cuidados ao fazer um empréstimo consignado. Veja abaixo:

Antes de contratar um empréstimo consignado, o consumidor deve pesquisar as taxas de juros praticadas no mercado e analisar o contrato com atenção. Senhas bancárias não devem ser fornecidas a terceiros e nenhum documento deve ser assinado em branco. Acordos verbais devem ser evitados.

O Procon-MPMG alerta para golpes recorrentes, como empréstimos não contratados que aparecem no contracheque, mensagens falsas que simulam contato de bancos ou do INSS, ofertas de produtos atreladas ao crédito e promessas de “limpeza do nome” mediante pagamento antecipado. Também é necessário atenção a cobranças embutidas, como seguros ou taxas não autorizadas.

Para reduzir riscos, a entidade aconselha:

  • Acompanhar regularmente o contracheque ou o extrato do Meu INSS
  • Não informar dados pessoais por links recebidos por mensagens
  • Solicitar o bloqueio de ofertas de telemarketing
  • Pedir o demonstrativo de empréstimos consignados periodicamente
  • Em caso de suspeita de golpe, a orientação é registrar boletim de ocorrência e procurar um órgão de defesa do consumidor
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