Reino Unido sanciona empresa brasileira por elo com ‘frota fantasma’ do petróleo russo
O governo do Reino Unido sancionou uma empresa brasileira sob acusação de ligação com a chamada frota fantasma que comercializa petróleo da Rússia. Os britânicos argumentam que as vendas de óleo russo ajudam Vladimir Putin a financiar a guerra contra a Ucrânia.
Com sede em Belo Horizonte, a Brasilleum Energy Trading foi incluída no pacote anunciado pelo governo do premiê Keir Starmer na terça-feira (24), por ocasião do quarto aniversário da invasão da Ucrânia.
De acordo com o contrato de constituição da Brasilleum, de outubro de 2024, a companhia atua na importação e exportação de petróleo e derivados. Foi autorizada como agente de comércio exterior pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em novembro do mesmo ano.
O sócio-administrador da Brasilleum é o empresário Natig Damirov, nacional do Azerbaijão. À época da fundação da empresa, ele residia em Dubai (Emirados Árabes Unidos). O administrador, sem cotas no negócio, é o advogado brasileiro Eduardo Paoliello Nicolau.
Procurado, Nicolau disse que a empresa não comentará o assunto.
As medidas de Londres envolvem o congelamento de ativos no Reino Unido e a proibição de que embarcações ou aeronaves operadas pelo alvo da sanção entrem em portos britânicos. Eventuais autorizações de atuação no país são canceladas.
Além dos efeitos diretos, esse tipo de punição tende a desencorajar que seguradoras e transportadoras fechem negócios com a empresa punida.
A ANP disse à reportagem que não recebeu das autoridades britânicas qualquer comunicação sobre a inclusão da empresa brasileira na lista de sancionados. A agência também afirmou que não recebeu dos governos do Reino Unido, Estados Unidos ou da União Europeia informação sobre outras companhias nacionais alvo de punição por comércio com a Rússia.
Um especialista do setor de combustíveis ouvido pela reportagem disse, sob anonimato, não ter registro de outra empresa brasileira sancionada pelo mesmo motivo
Não há dados de operações da Brasilleum Energy no relatório de desembaraços de importações de petróleo, gás e derivados da ANP.
O governo do Reino Unido incluiu a Brasilleum numa lista de 175 empresas conectadas ao grupo 2Rivers, também baseado em Dubai. Segundo os britânicos, o 2Rivers é uma grande operadora da frota fantasma russa e um dos maiores vendedores de petróleo do país liderado por Putin.
Os britânicos consideraram que há “fundamentos razoáveis para suspeitar” que a empresa brasileira está associada a Tahir Garayev. Segundo a agência Reuters, ele fundou o grupo empresarial Coral, que posteriormente se tornou o 2Rivers.
De acordo com o governo do Reino Unido, o objetivo das sanções é enfraquecer a frota fantasma russa. “Esta mais recente leva de sanções inclui 48 petroleiros que transportam petróleo como parte da tentativa desesperada do Kremlin de amenizar o impacto de sanções severas. Ao Kremlin e àqueles que buscam lucrar com esse comércio ilícito, a mensagem é clara o petróleo russo está fora do mercado”, disse, em um comunicado.
As sanções anunciadas na terça fazem parte de um pacote de quase 300 medidas. Segundo Londres, trata-se da maior rodada de punições impostas contra a Rússia desde o início da guerra, em 2022.
As medidas elevam para mais de 3.000 o número de pessoas, empresas e navios sancionados no âmbito das ações britânicas contra a Rússia.
O pacote acrescentou ainda subsidiárias da agência estatal nuclear russa Rosatom por seu papel no apoio às exportações de energia nuclear de Moscou.
O Reino Unido também designou a Gazprom SPG Portovaya LLC, que, segundo Londres, esteve envolvida nos embarques de gás natural liquefeito da Rússia, além de um grupo de bancos russos. A Gazprom foi sancionada em janeiro de 2025 em uma ação coordenada com os Estados Unidos.
Conteúdo distribuído por Folhapress
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