Legislação

Vale tem multa ampliada em R$ 3,3 milhões por danos ambientais em Congonhas e Ouro Preto

Valor da penalidade foi ampliado devido à reincidência da mineradora em Congonhas e Ouro Preto
Vale tem multa ampliada em R$ 3,3 milhões por danos ambientais em Congonhas e Ouro Preto
Extravasamento Mina Viga, da Vale, em Congonhas. Foto: Divulgação Prefeitura de Congonhas

A Vale teve sua multa por danos ambientais nas cidades de Congonhas e Ouro Preto, ambas na região Central do Estado, aumentada. O Governo de Minas ampliou de R$ 1,7 milhão para R$ 3,3 milhões o valor a ser pago pela mineradora, em razão das ocorrências recentes envolvendo problemas nas estruturas de drenagem das minas de Fábrica e Viga. A medida foi formalizada durante reunião realizada nesta sexta-feira (30) entre representantes do Estado e executivos da empresa.

O valor da multa foi atualizado pela reincidência da empresa em situação semelhante, registrada em 3/8/2023, em Brumadinho. À época, foi aplicada multa de R$ 211.549,80 à empresa, após serem constatados danos relativos à supressão de vegetação nativa, sem licença ambiental, e em área de preservação ambiental permanente.

A nova autuação, relacionada ao episódio em Congonhas e Ouro Preto, considera esse histórico, uma vez que, segundo o Decreto 47.383/2018, a reincidência é caracterizada quando o autuado comete uma nova infração ambiental, após ter sido penalizado anteriormente de forma definitiva, em um período inferior a três anos.

Segurança e transparência

O secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lyssandro Norton, destacou que as medidas adotadas pelo governo buscam garantir maior segurança, transparência e responsabilidade por parte da Vale.

“Após os episódios nas minas de Congonhas e Ouro Preto, a equipe técnica da Semad, que segue acompanhando os episódios in loco, fez o levantamento do histórico de ocorrências anteriores. Seguindo a legislação, estamos aplicando uma multa dobrada, devido à reincidência. A multa já foi formalizada e seguiremos exigindo que a Vale adote todas as medidas de segurança, mitigação e reparação integral dos danos socioambientais”, disse o secretário.

Estiveram no encontro executivos da mineradora Vale, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Todos para coordenar ações e para alinhar melhor a comunicação de possíveis ocorrências.

Os órgãos estaduais reforçaram a importância de ações efetivas da mineradora para correção das falhas identificadas, mitigação de impactos e prevenção de novos episódios.

Reparação

As autuações à Vale foram aplicadas com base no Decreto nº 47.383/2018, que trata de infrações ambientais, incluindo poluição, demora na comunicação de acidentes ambientais e reincidência.

Além disso, a suspensão de atividades nas duas minas envolvidas no caso foi estabelecida como medida preventiva imediata, com o objetivo de impedir qualquer eventual lançamento ou carreamento de materiais e sedimentos nas áreas afetadas, até que seja comprovada a eliminação dos riscos ambientais e a adoção de medidas de controle eficazes por parte da Vale.

No caso da Mina da Viga, a suspensão se aplica para todo o empreendimento. Já em relação à Mina da Fábrica, a suspensão é específica para atividades na cava 18 do empreendimento.

Falhas nas operações

Em ambas as minas, a fiscalização feita nos locais constatou falhas nas operações do sistema de drenagem, agravadas pelo elevado índice de chuvas na região. No caso da Mina da Fábrica, houve extravasamento de água com sedimentos, com volume estimado em 262 mil metros cúbicos, atingindo áreas internas da empresa CSN. O episódio também resultou em assoreamento de cursos d’água afluentes do Rio Maranhão, incluindo os córregos Ponciana e Água Santa.

Na averiguação na Mina da Viga, o Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) da Semad constatou escorregamento de talude natural na área de lavra, com lançamento e carreamento de sedimentos para o córrego Maria José e para o Rio Maranhão. A extensão completa dos impactos está sendo dimensionada pela Semad, a partir de análises técnicas no local.

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