Recentemente, uma sessão da American Society of Clinical Oncology, o congresso de oncologia clínica mais importante do planeta, foi dominada por aplausos e lágrimas diante dos números de um estudo de um remédio que promete ser revolucionário para pacientes com câncer de pâncreas, um dos mais agressivos, silenciosos e letais.
De acordo com o g1, aplausos de pé e lágrimas são absolutamente incomuns em congressos científicos, mas foi exatamente isso que aconteceu quando os números do estudo RASolute 302 foram apresentados no encontro deste ano.
Novo remédio aumenta a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas
Em abril, a empresa farmacêutica estadunidense Revolution Medicines havia divulgado dados sobre o daraxonrasib, um comprimido diário que quase dobra a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas em metástase que não respondem à quimioterapia. Apesar da empolgação diante do anúncio, ainda eram dados apresentados pela empresa (que obviamente tem seus interesses financeiros).
Mas esse estudo mais recente é considerado uma “palavra final” para a ciência. O estudo RASolute 302 seguiu o padrão mais rigoroso da medicina, segundo um g1, sendo um ensaio clínico randomizado de fase 3. Os quinhentos pacientes foram divididos por sorteio em dois grupos, um recebendo o comprimido e a outra metade, a quimioterapia convencional.
No grupo de pacientes com a mutação RAS G12, a mais comum nesse tipo de câncer, a sobrevida mediana com a medicação foi de 13,2 meses. Entre os pacientes que continuaram na quimioterapia, esse número cai para 6,6 meses. O tempo até a doença voltar foi de 7,3 meses entre os que receberam o remédio em comparação com 3,5 meses entre os que ficaram na quimioterapia.
Outro ponto que chama bastante atenção é que apenas 1,2% dos pacientes que usaram o remédio precisam parar o tratamento por causa de efeitos colaterais. No grupo de quimioterapia, essa taxa sobe para 11,2%.




