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Reforma tributária exige nova mentalidade empresarial e gestão no centro da competitividade

Regras transformam a maneira como os negócios organizam suas finanças, precificam produtos, estruturam cadeias produtivas e planejam crescimento
Reforma tributária exige nova mentalidade empresarial e gestão no centro da competitividade
Foto: Reprodução Freepik

A reforma tributária em curso no Brasil é mais que uma mudança técnica no modelo de arrecadação. Ela representa uma transformação estrutural na forma como empresas organizam suas finanças, precificam produtos, estruturam cadeias produtivas e planejam crescimento. Ao substituir tributos e instituir o Imposto Seletivo, o País inicia um ciclo de transição que vai até 2033 e que exigirá das empresas mudança de mentalidade.

Durante décadas, o sistema tributário brasileiro foi marcado por complexidade, cumulatividade e, em algumas situações, insegurança jurídica. A promessa da reforma é simplificar, dar transparência e reduzir distorções. No entanto, nos curto e médio prazos, o que veremos será um período de convivência entre dois sistemas, novas regulamentações, ajustes operacionais e uma curva intensa de aprendizado. E é justamente nesse intervalo que mora o maior risco – e também a maior oportunidade.

Empresas que tratarem a reforma como mera troca de alíquotas tendem a enfrentar desafios. A nova lógica baseada no imposto no destino e na não cumulatividade plena altera dinâmicas de crédito, impacta margens, exige revisão de contratos e pode até modificar a competitividade entre setores. Será necessário revisar cadeias de fornecedores, reorganizar fluxos de caixa, reavaliar regimes tributários e recalcular estratégias de precificação.

Se a perspectiva exige de grandes negócios uma reorganização estruturada, pequenas e médias empresas, devem precisar de mais atenção ainda. Com estruturas administrativas enxutas e margens muitas vezes apertadas, qualquer erro de interpretação pode gerar impacto financeiro significativo. Ao mesmo tempo, são justamente esses negócios que mais precisam de previsibilidade e organização para sobreviver em um ambiente econômico volátil.

A partir de 2026, a fase de testes e adaptação de sistemas fiscais exigirá investimento em tecnologia, capacitação e governança. Não se trata apenas de atualizar softwares, mas de profissionalizar a gestão. A contabilidade passa a ocupar papel central na estratégia empresarial. Dados contábeis bem estruturados serão determinantes para decisões sobre expansão, crédito, contratação e sustentabilidade financeira.

Outro ponto fundamental é a cultura empresarial. Ainda é comum no Brasil a confusão entre finanças pessoais e empresariais, a ausência de controle de fluxo de caixa e a falta de planejamento tributário estruturado. A reforma expõe essas fragilidades. Empresas que não tiverem organização interna poderão sofrer mais com o novo modelo, enquanto aquelas que utilizarem a transição como oportunidade para reorganizar processos sairão fortalecidas.

Há também uma dimensão mais ampla: a convergência com práticas de governança e sustentabilidade. Um sistema tributário mais transparente exige empresas mais transparentes. Gestão organizada, controles internos eficazes e responsabilidade fiscal dialogam diretamente com princípios de desenvolvimento sustentável, fortalecimento institucional e crescimento econômico estruturado.

A reforma tributária, portanto, não é apenas um rearranjo técnico do sistema arrecadatório. É um convite – ou uma exigência – para que empresas evoluam em gestão, planejamento e visão estratégica. Quem compreender esse movimento como oportunidade de modernização sairá na frente. Quem resistir à mudança poderá pagar um preço alto. Redesenhar ou ajustar a forma de gerir negócios será primordial.

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