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Azul moderniza hangar e planeja investir até R$ 200 milhões em Minas

Companhia investe R$ 10 milhões na Pampulha e projeta até R$ 200 milhões em Minas para ampliar manutenção e capacidade operacional
Azul moderniza hangar e planeja investir até R$ 200 milhões em Minas
Diário do Comércio/Giulia Simons

Com investimentos que somam R$ 10 milhões já aplicados e um plano que pode chegar a R$ 200 milhões em Minas Gerais, a Azul reforça a estratégia de ampliar sua estrutura de manutenção e ganhar escala operacional no Estado. A iniciativa combina a modernização de ativos existentes, como o Hangar 20, na Pampulha, e a construção de uma nova plataforma técnica em Confins.

Após quatro meses de obras, a reinauguração do hangar na Pampulha consolida o centro como um dos principais polos da companhia para manutenção pesada de aeronaves no País. Com três hangares e oito oficinas, a unidade atende modelos Embraer e ATR, incluindo o heavy check, e já está certificada para operar com os jatos E195-E2, ampliando a especialização técnica da base mineira.

Segundo o vice-presidente técnico da Azul, André Gonçalves da Cruz, o investimento de R$ 10 milhões tem como objetivo otimizar as atividades de manutenção preventiva e corretiva, gerando uma importante diminuição de custos.

“De uma maneira geral, estimamos uma redução de custos entre 5% e 6%, apenas levando-se em conta o tempo de produção, eficiência de material, logística e tempo de avião parado”, revela Cruz.

Atualmente, são mais de 450 tripulantes que atuam em áreas administrativas e também nos três hangares e oito oficinas, como as de interiores, tapeçaria, compostos, estruturas, comunicação visual, pintura/limpeza, NDT e componentes, no Centro de Manutenção da Pampulha. Desde 2013, o espaço, que atua diariamente com linhas de produção para manutenção pesada, já realizou em torno de 500 heavy checks e de 700 paradas especiais.

A estimativa é de que os três hangares do Centro de Manutenção da Pampulha consigam atender, no mínimo, quatro aeronaves em heavy check, simultaneamente, sendo dois aviões ATR em um hangar e dois Embraer, nos outros dois hangares.

“Além dessas quatro linhas que funcionam permanentemente, temos os eventos não programados. Todos os eventos que acontecem no dia a dia da operação, que demandam uma mão de obra especializada, que é a vocação da Pampulha, muitas vezes vêm para cá. Aqui resolve”, explica.

Azul projeta plataforma técnica de até R$ 200 milhões

Esse investimento faz parte de um objetivo maior da Azul no Estado, que inclui a construção de uma plataforma técnica no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (BH Airport), em Confins, na Região Metropolitana da Capital. O projeto tem valor estimado entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões e deve ser executado em cinco anos.

“Essa área já está definida. Estamos falando de uma ampliação grande, que cabe até um avião de grande porte, o que nos leva para outro patamar. A nossa intenção é construir uma plataforma onde seja possível atender grande parte da minha frota em pelo menos dois hangares. Assim, garantimos que todo o excedente que tenhamos em um hangar, por exemplo, em Campinas, consigamos fazer em Confins ou na Pampulha e vice-versa. Além disso, com o excedente que tivermos, poderemos vender serviços. Temos, por exemplo, um contrato com a Polícia Federal que é atendido aqui pela Pampulha, gerando receita. Ainda não temos uma data fechada para essa entrega de Confins, mas, a partir do momento do início das obras, serão, pelo menos, dois anos de construção”, avalia o vice-presidente Técnico da Azul.

Para o gerente de Negócios da Invest Minas, Agência de Promoção de Investimentos do Governo do Estado de Minas Gerais, Renato de Andrade, a expansão do hangar significa não só a ampliação dos serviços no Estado, mas também a confiança que a Azul deposita em Minas Gerais e em Belo Horizonte.

“O Estado tem um tratamento tributário setorial específico para o transporte de passageiros e foi uma das principais razões do crescimento da Azul no Estado, com cerca de 120 decolagens, 15 bases locais e duas operações internacionais muito importantes”, afirma Andrade.

Aviação entra no centro da estratégia de atração de investimentos

Como parte importante da infraestrutura do Estado para a atração de investimentos, a aviação é vista como uma política de Estado prioritária pela Invest Minas.

O gerente de Negócios da Invest Minas afirma que a infraestrutura é um fator central para a atração de negócios e destaca que o Aeroporto de Confins já conta com uma estrutura moderna, capaz de sustentar esse movimento. No entanto, pondera que o principal desafio do Estado está nos aeroportos regionais, que ainda não têm condições de receber aeronaves de maior porte.

“Os recursos são limitados e, às vezes, a questão não é só o recurso, em si, mas o contrato de concessão que foi firmado no passado, que limita o investimento do governo. Além disso, o Estado prioriza alguns aeroportos nos quais enxerga potencial de crescimento, com potencial de carga e fluxo de passageiros. Existe uma combinação com o governo federal para que o Estado inclua esses projetos no Plano Aéreo Nacional, permitindo também investimentos federais”, completa o gerente de Negócios da Invest Minas.

Manutenção em números

  • Investimento: R$ 10 milhões;
  • Plano de expansão: até R$ 200 milhões em Minas;
  • Local: Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte;
  • Estrutura: três hangares e oito oficinas;
  • Capacidade: até quatro aeronaves em heavy check simultaneamente;
  • Frota atendida: modelos Embraer e ATR;
  • Equipe atual: mais de 450 profissionais;
  • Meta: 120 técnicos dedicados ao E195-E2;
  • Histórico: cerca de 500 heavy checks e 700 paradas especiais desde 2013;
  • Redução de custos estimada: entre 5% e 6%.

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