Uso de canetas emagrecedoras impulsiona vendas de suplementos em até 2000% na Drogaria Araujo

Rede mineira registra alta na procura por proteínas, creatina e repositores hidroeletrolíticos entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025.
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Uso de canetas emagrecedoras impulsiona vendas de suplementos em até 2000% na Drogaria Araujo
Foto: Play P

O uso de canetas de GLP-1, conhecidas como canetas emagrecedoras, tem impulsionado as vendas de suplementos alimentares na Drogaria Araujo. Produtos como os suplementos proteicos, a creatina e os repositores hidroeletrolíticos apresentaram desempenho acima da média entre os meses de janeiro e agosto deste ano.

De acordo com a varejista mineira, a comercialização de suplementos proteicos para ganho de massa aumentou 53% nos oito primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a creatina registrou crescimento de 40%, enquanto as vendas de repositores hidroeletrolíticos avançaram 2000% nesse período.

Se considerar as compras que incluem as canetas, os itens que mais aparecem na cesta de consumo são produtos para fortalecimento do cabelo e vitaminas. Além disso, a empresa também observou um crescimento na demanda dos clientes por orientação farmacêutica.

A gerente comercial da Drogaria Araujo, Isabella Araujo Parreiras Gontijo, descreve o hábito de consumo nas lojas da rede. “O paciente em tratamento consome uma gama específica de produtos voltados à melhoria da saúde e à reposição de minerais perdidos no processo”, diz.

Cenário nacional

Canetas emagrecedoras: Ozempic, Mounjaro e Wegovy
Foto: Reprodução/Adobe Stock

Um estudo da NielsenIQ divulgado em abril deste ano demonstra o mesmo movimento no Brasil. Em 2026, oito dos dez produtos que mais faturam nas farmácias brasileiras são as canetas de GLP-1, presentes em 5% dos lares; outros 26% dos consumidores dizem ter interesse em usá-las.

Entre os lares dos usuários, 84,4% aumentaram o consumo de proteína animal e 76,9% reduziram ou cortaram chocolates e doces. Para Isabella Araujo, a indústria já percebeu a demanda e vem lançando mais produtos enriquecidos com proteína, alguns com selo na embalagem indicando suporte ao uso de GLP-1.

O medicamento imita o hormônio GLP-1, que retarda o esvaziamento do estômago e reduz o apetite. Com menos comida no prato, reduz também a ingestão de proteína, vitaminas, minerais e água. Náusea e constipação estão entre os efeitos colaterais mais frequentes, principalmente no começo do uso e quando a dose aumenta.

O farmacêutico e consultor técnico da Drogaria Araujo, Hairton Guimarães, explica que quando a perda de peso é acelerada pelo uso dos análogos de GLP-1 o corpo sente o impacto fisiológico imediato. Os primeiros a reagir ao estresse metabólico são o intestino, a massa muscular, o cabelo e a pele.

Ele pontua que as dúvidas mudam de acordo com a fase do tratamento. “No início da aplicação, a principal queixa são os enjoos e o intestino preso. Com o avanço do emagrecimento, chegam as perguntas sobre queda de cabelo, flacidez e cansaço por conta do déficit calórico. Na manutenção, a grande preocupação passa a ser o controle metabólico para não voltar a engordar”, relata.

Cuidados e serviço de manipulação

A Drogaria Araujo organiza o cuidado com quem usa o medicamento em sete pilares fundamentais. O mapa apresenta as queixas mais comuns e os produtos que podem ajudar em cada uma delas. Confira a lista:

1. Preservação de massa magra. Junto com a gordura, o corpo perde músculo e a força diminui. O risco é maior a partir dos 60 anos, quando a sarcopenia avança com a idade. Proteína em quantidade adequada e treino de força ajudam a frear a perda. Além dos suplementos proteicos e da creatina, a venda de barras proteicas cresceu 45%.

2. Saúde digestiva. É o pilar do enjoo, da azia, dos gases e do intestino preso. Fibras, probióticos e alimentos funcionais ajudam a regular o intestino. Para os sintomas mais incômodos, há medicamentos isentos de prescrição, usados com orientação do farmacêutico. A busca por produtos para saúde intestinal aumentou 20%.

3. Antiqueda capilar. O fio de cabelo é formado por proteína e depende de ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B, nutrientes que podem faltar com a alimentação reduzida. A queda, na maioria dos casos, é temporária. As unhas também enfraquecem. Produtos para queda e fortalecimento capilar avançaram 24%, e vitaminas e multivitamínicos, 20%.

4. Dermo e firmeza. A perda acelerada de gordura pode deixar a pele do corpo flácida e tirar volume do rosto, efeito apelidado de “rosto Ozempic”. A proteína da alimentação fornece os aminoácidos que o corpo usa para produzir colágeno, responsável pela sustentação da pele. Hidratantes e dermocosméticos anti-idade e firmadores completam o cuidado. Os dermocosméticos para firmeza, hidratação e elasticidade aumentaram 35%.

5. Hidratação e eletrólitos. Quem come menos também ingere menos água, já que parte dela vem dos alimentos, e o medicamento pode reduzir a sensação de sede. Náusea e vômitos, quando aparecem, aumentam a perda de líquido e de sais minerais como sódio e potássio. O paciente fica cansado e sem disposição, às vezes sem perceber que está desidratado. A compra de repositores hidroeletrolíticos superou as expectativas e a procura pelos isotônicos cresceu 38%.

6. Sono e ansiedade. A mudança na alimentação e na rotina pode atrapalhar o sono e deixar o paciente mais irritado e ansioso, e o estresse costuma aumentar a vontade de comer. Fitoterápicos e suplementos para o sono fazem parte desse cuidado, e a venda de produtos para o sono cresceu 46%.

7. Cuidados sensoriais. Com menos líquido no organismo, boca, lábios e olhos podem ressecar e se tornarem um incômodo diário. Lágrimas artificiais e hidratantes para rosto e lábios aliviam esse desconforto. A venda de produtos para secura ocular cresceu 16%.

Equipe de farmacêuticos no laboratório de manipulação da Drogaria Araujo.
Foto: Divulgação/ Drogaria Araujo

Além disso, o serviço de manipulação da Araujo também tem atendido mais pacientes em uso das canetas que precisam de suplementação. Mediante prescrição, o laboratório prepara fórmulas sob medida, com colágeno, creatina e vitaminas na dose e na combinação indicadas para cada caso, de acordo com o que o paciente precisa repor durante o tratamento.

“Muita gente leva proteína, fibra, colágeno e isotônico sem saber que tudo isso responde à mesma necessidade. Os sete pilares ajudam o cliente a encontrar o que precisa a partir da queixa que ele tem”, diz Isabella Araujo.

A orientação é que o uso das canetas e de qualquer suplemento seja acompanhado por um médico ou nutricionista, que avalia o que cada paciente precisa. Nas lojas, os farmacêuticos da varejista estão à disposição para tirar dúvidas sobre uso, efeitos colaterais e interações.

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.


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