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Vendas de bebidas devem crescer 9% com fim da exclusividade no Carnaval de BH 2026

Fim do monopólio de venda em Belo Horizonte abre espaço para marcas locais e drinques prontos, animando setor e foliões para a festa
Atualizado em 15 de janeiro de 2026 • 16:04
Vendas de bebidas devem crescer 9% com fim da exclusividade no Carnaval de BH 2026
Foto: Julia Lanari

A expectativa para o Carnaval 2026, que acontece entre os dias 14 e 17 de fevereiro, é grande não só para os foliões. As empresas de bebidas também estão animadas com a festa. Afinal, em Minas Gerais, a alta procura pelo Carnaval, principalmente em Belo Horizonte, deve impulsionar o segmento e garantir alguns meses de renda para comerciantes e ambulantes.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral de Minas Gerais (SindBebidas-MG), a expectativa é de um crescimento de 9% no volume de vendas de bebidas em comparação com o mesmo período de 2025.

A alta está relacionada, principalmente, à queda do monopólio de apenas uma marca na venda nos circuitos do Carnaval. Em 2025, os produtos da Ambev, então patrocinadora master da folia, eram os únicos que podiam ser vendidos nos principais trajetos dos blocos.

Para o sócio-diretor e fundador da Vanfall Destilaria, Pedro Junqueira, a ausência de exclusividade amplia significativamente as oportunidades para marcas de menor porte e favorece a experimentação por parte do público. Segundo ele, no Carnaval passado, o patrocínio exclusivo gerou receio entre ambulantes. “Muitos ficaram inseguros em vender outras bebidas que não fossem da marca patrocinadora. Nem todos se sentiam confortáveis em comercializar outros produtos”, relata.

Neste ano, a avaliação é positiva: “Vemos com bons olhos o não vínculo entre patrocínio e exclusividade. Isso permite maior difusão do produto, mais pontos de venda, mais carrinhos de ambulantes e uma exposição melhor, com maior volumetria, o que chama a atenção do consumidor final”.

O CEO do Grupo Läut, Henrique Miranda, também avalia que o Carnaval de Belo Horizonte passa por um momento de maturidade importante. Para ele, a ausência de exclusividade cria um ambiente mais democrático, competitivo e saudável para o mercado, permitindo que diferentes marcas participem ativamente da festa e entreguem mais diversidade ao público.

Miranda destaca que marcas como a Läut Beer já possuem maior conhecimento a respeito do público, da dinâmica dos blocos e do perfil de consumo na cidade.

O empresário ressalta que a realização de um Carnaval mais aberto fortalece não apenas as marcas locais, mas também toda a cadeia econômica da capital mineira, incluindo produtores, ambulantes, bares, blocos e, principalmente, o folião. “É um cenário positivo, moderno e com enorme potencial de crescimento para a cidade”, afirma.

Latas de drinques prontas para beber, ou ready to drink (RTDs), da mineira Xeque Mate.
Foto: Diário do Comércio Leonardo Leão

Já o sócio-fundador e CEO do grupo Xeque Mate Bebidas, Alex Freire, ressalta que a expectativa para a folia deste ano é positiva, devido a experiência que a marca possui nesse período do ano. Ele pontua que a empresa irá apoiar alguns blocos da capital mineira, do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP). “Também vamos ter as ações de varejo e com ambulantes, fornecendo sombrinhas, abadás e bandeiras, desde os ensaios até o Carnaval”, acrescenta.

A valorização dos drinques prontos (ready to drink – RTDs) é outro fator que impulsiona o setor. De acordo com Pedro Junqueira, o Carnaval é o principal momento de consumo desse tipo de bebida ao longo do ano. “Nos 30 dias que envolvem o Carnaval, temos um crescimento de mais de 170% nas vendas, o que representa cerca de 2,7 vezes a nossa média mensal de latas”, explica.

Em 2025, segundo o empresário, as vendas da Vanfall cresceram mais de 60% apenas no período do Carnaval em relação a 2024. Para 2026, a expectativa é ainda maior, impulsionada pelo lançamento de um novo sabor da marca, o Aura, uma vodka com maçã verde. “É um drinque autoral, com identidade própria, sem repetir sabores clássicos como Moscow Mule ou gin tônica. A ideia é oferecer mais uma opção de paladar para os foliões e ver esse reflexo nos números”, afirma.

Segundo Junqueira, a empresa vem se preparando logisticamente desde o fim de 2024 para atender à demanda. “Já estamos com estoque, insumos e logística preparados. O Carnaval começa cedo neste ano, então o planejamento precisa ser antecipado”, destaca.

Ele acrescenta que a Vanfall chega a 2026 ainda mais estruturada do que nos anos anteriores, com mais ativações, parcerias com grupos de ambulantes e reforço na equipe comercial.

Para o presidente do SindBebidas-MG, Mario Marques, o incremento de vendas pode ser conquistado graças à diversidade de marcas que serão ofertadas ao consumidor nos blocos, festas e eventos relacionados ao Carnaval.

“Um dos motivos é a aderência às bebidas prontas (drinques como o Xeque Mate, por exemplo), que tiveram forte presença no Carnaval de Belo Horizonte no ano passado. Para o folião que está na rua, a conveniência de consumir uma bebida pronta em uma lata, fácil de transportar e gelar, é um diferencial para as indústrias”, afirma.

“Outro motivo é um entrosamento bem maior da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) com o nosso setor, pois nossos associados poderão participar com mais liberdade na venda dos produtos. Ninguém vai ficar sem bebida no Carnaval”, completa.

Consumidor da folia terá a opção de cervejas artesanais | Foto: Pixhere

​Presença das cervejas locais

Apesar da variedade de opções de bebidas para a folia, a cerveja tende a ser a bebida alcoólica mais consumida nos blocos e festas. Diferentemente do ano passado, as produções artesanais voltam às ruas neste ano.

Sócio da cervejaria Verace, Marcelo Paixão avalia como equivocada a forma como o evento foi conduzido no ano passado. Ele lembra que alguns clientes da marca chegaram a ter seus ombrelones com a logo da empresa recolhidos apenas por estarem no caminho dos blocos.

“Eu acho isso um absurdo, já que os bares já estavam nesses lugares antes e continuaram por lá depois do Carnaval. Além disso, empresas como a Verace seguem investindo nesses estabelecimentos durante o ano todo”, pontua.

O empresário pondera que não há problemas com o fato de algumas empresas do setor patrocinarem o Carnaval, mas ressalta que o “monopólio” extrapola o limite aceitável. Além disso, ele relata que alguns dos itens removidos no ano passado ainda não foram devolvidos. Esse cenário gerou medo entre os donos de bares, fazendo com que muitos deixassem de comercializar produtos de outras marcas que não fossem da Ambev.

“Um Carnaval sem patrocínio é claramente mais democrático. Nós vemos isso como uma oportunidade, já que aqui é o ‘berço’ dos drinques prontos, e acredito que haverá muitos outros surgindo. Essa é uma oportunidade para os foliões experimentarem vários drinques e outras marcas de cerveja, que poderão aparecer ainda mais”, avalia.

No entanto, Paixão ressalta que a ausência de um patrocinador principal poderá prejudicar os investimentos em infraestrutura e segurança do evento.

Para ele, isso é um problema que o Poder Público municipal deverá solucionar para evitar uma possível queda na qualidade do Carnaval de BH, que tem aumentado sua popularidade em todo o Brasil. “Mas, independentemente de ter um patrocínio ou não, acredito que o Estado e a Prefeitura deveriam valorizar as marcas regionais, pois são elas que geram empregos na região”, conclui.

O presidente do SindBebidas-MG, Mario Marques, acredita que o Carnaval de 2026 vai ficar melhor com a presença das cervejas artesanais. “Aqui temos a ‘Bélgica brasileira’, e o consumidor vai ter a oportunidade de consumir diversas marcas que, às vezes, só são encontradas em supermercados”, observa.

Todavia, ele faz uma ressalva quanto à capacidade de produção e entrega de algumas empresas do polo cervejeiro e sugere que as empresas de pequeno e médio porte entendam o seu tamanho e trabalhem dentro dos seus limites para atender bem.

“Temos vários tipos de empresas associadas: produtoras de cerveja artesanal de médio porte, de grande porte e também muitas de pequeno porte. Então, cada uma vai pegar o que der conta de entregar. Não dá para o pequeno produtor sonhar que vai ganhar na loteria no Carnaval”, pondera.

Não alcoólicos e drinques ganham espaço

Latas de Like Spritz.
Foto: Divulgação Like Spritz

Com tantas opções de bebidas alcoólicas tradicionais, há um ponto diferente que também pode gerar boas vendas para o setor de bebidas. O mercado observa uma mudança comportamental significativa, dado o aumento na procura por produtos sem álcool. Por isso, o SindBebidas-MG espera uma alta também no consumo de águas minerais, refrigerantes e sucos.

​”O Carnaval de Minas Gerais atingiu um nível de maturidade e organização que impulsiona toda a cadeia produtiva. A indústria entende o novo perfil do consumidor e oferece para o público desde a tradicional cachaça até as bebidas sem álcool. O setor está pronto para hidratar e alegrar os milhões de turistas e mineiros que vão tomar as ruas”, conclui Marques.

Os drinques prontos para consumo, ou ready to drink (RTDs), também vão ganhar mais espaço na folia deste ano.

Segundo o CEO do Grupo Läut, Henrique Miranda, os selos Venm e Like Spritz da marca já vêm apresentando grande aceitação nos ensaios dos blocos, com uma experiência alinhada ao Carnaval de rua da Capital. “Isso demonstra que o consumidor busca variedade e novas experiências, e esse novo modelo de mercado favorece exatamente isso”, destaca.

Para Pedro Junqueira, da Vanfall, a expectativa é de crescimento contínuo até a chegada da folia. “À medida que o Carnaval se aproxima, com os bloquinhos de pré-Carnaval e o retorno das pessoas das férias, as vendas crescem de forma exponencial. O produto vai para a rua e começamos a ver o resultado do trabalho feito nos últimos meses”, diz.

De acordo com Alex Freire, a produção da bebida Xeque Mate superou as estimativas mais otimistas, com alta de 26% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando a marca de 9 milhõesde litros produzidos. “A nova linha Mascate Drinks chega com aposta de incremento de 20% nas vendas”, diz.

A expectativa, segundo o empresário, é de que a produção inicial da nova linha do grupo Xeque Mate alcance 1,04 milhão de litros. “Somadas, as RTDs Xeque Mate e Mascate Drinks aumentarão em 67% a produção entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026”, projeta.

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