Cultura de dados ajuda recursos humanos a reter talentos
Pesquisa realizada pela Mereo – plataforma integrada de gestão de pessoas presente em mais de 40 países – revela que para 75% dos líderes em gestão de pessoas e Recursos Humanos, o futuro da área é data driven. Apesar da consciência dos gestores, poucas empresas aproveitam os dados que já têm disponíveis e dados públicos para atração e retenção de talentos. Diante da escassez global de mão de obra qualificada, as empresas precisam entender o que facilita a contratação e o que leva os colaboradores a pedirem demissão.
De acordo com o cofundador da Mereo, Ivan Cruz, o grande entrave na adoção dos dados pelo RH tem muito mais a ver com a cultura da empresa do que com a adoção de tecnologia e seus custos.
“A pesquisa também mostra que 92% das empresas enfrentam barreiras culturais para se tornarem data driven. Isso está ligado à uma mentalidade de que as ciências humanas não têm afinidade com números. Uma solução para os RHs é montar times mistos, com a presença de profissionais de dados. A interdisciplinaridade é uma qualidade porque amplia a capacidade de análise das equipes”, afirma Cruz.
Dados não substituem pessoas, qualificam decisões. O papel do RH continua sendo humano, mas usar dados é a forma de reduzir vieses, aumentar clareza e ganhar credibilidade com o negócio. De acordo com o levantamento, líderes têm cinco vezes mais impacto em decisões executivas quando usam storytelling de dados.
“A intuição sem dados é palpite e dados sem pessoas são números. Juntos viram decisões estratégicas. O RH precisa ser protagonista na transformação cultural. Se o RH não usar dados para guiar pessoas e líderes, ninguém mais fará isso. É uma oportunidade única de ser um agente estratégico”, destaca.
Também para a superintendente de Transformação e Experiência do Cliente na LG lugar de gente, Daniella Vasconcelos, o maior obstáculo continua sendo o cultural. Para ela, não basta ter acesso a dados. É preciso contar com informações em tempo real, consistentes e confiáveis e, sobretudo, líderes dispostos a repensar a forma como tomam decisões.
No Brasil, a demanda por soluções que convertem dados em decisões continua crescendo significativamente, impulsionada pela busca por decisões mais rápidas, personalizadas e com base em evidências, conforme observado pela LG lugar de gente.
“As organizações que transformam dados em ação conseguem desenvolver talentos de forma muito mais estratégica. People Analytics acelera a identificação de potenciais, personaliza trilhas de desenvolvimento e amplia a capacidade do RH de antecipar necessidades do negócio. Esse é o caminho para um modelo de gestão mais ágil, eficiente e orientado a resultados”, reforça Daniella Vasconcelos.
Com o avanço da IA, cresce o uso de soluções que combinam People Analytics com inteligência artificial para prever comportamentos e desenhar jornadas personalizadas. Na prática, isso significa identificar riscos de desligamento, prever gaps de competências e estruturar trilhas de desenvolvimento com maior precisão.
Assim, os dados de RH abastecem uma arquitetura tecnológica que oferece soluções para toda a jornada do colaborador, do recrutamento ao desligamento, preservando boa parte dos talentos.
“O RH está se tornando um centro de inteligência. A boa notícia é que as empresas brasileiras estão prontas para isso. O desafio está em transformar tecnologia em decisão, e decisão em cultura”, destaca a superintendente de Transformação e Experiência do Cliente na LG lugar de gente.
Para o executivo da Mereo, a geração de nativos digitais tende a trabalhar de forma mais natural com dados, o que facilitaria o uso estratégico até mesmo dos dados não estruturados, atraindo e retendo clientes e talentos.
Um levantamento realizado pela McKinsey – consultoria global de gestão estratégica -, aponta que empresas data-driven têm 23 vezes mais chances de adquirir clientes, seis vezes mais chances de reter clientes e 19 vezes mais chances de serem lucrativas.
“A jornada data driven é evolutiva, comece pequeno e avance. O RH não precisa virar estratégico de um dia para o outro: primeiro, colete dados, depois, analise, passe a prever e, por fim, conecte ao negócio”, aconselha o cofundador da Mereo.
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