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Déficit de saneamento impulsiona mercado de soluções móveis no Brasil

No País, mais de 90 milhões de brasileiros vivem sem a coleta e tratamento de esgoto
Déficit de saneamento impulsiona mercado de soluções móveis no Brasil
O saneamento móvel permite que as concessionárias antecipem a universalização do serviço de saneamento em regiões mais vulneráveis | Foto: Reprodução Adobe Stock

A COP30 deixou como um legado o reconhecimento, pela primeira vez, da necessidade de universalização do saneamento básico como pilar da agenda climática. Mas o Brasil tem caminhado a passos lentos para cumprir sua meta – de que, até 2033, coleta e tratamento de esgoto devem chegar a 90% da população. A oito anos desse prazo, ainda são 90 milhões de brasileiros vivendo sem o serviço, ou 44,5% da população.

Enquanto o equivalente a 5,265 mil piscinas olímpicas de esgoto ainda são descartadas por dia na natureza, de acordo com o Instituto Trata Brasil, a corrida pela universalização tem impulsionado o mercado de soluções de saneamento. Tecnologias móveis de coleta e tratamento de resíduos hoje empregadas em áreas de difícil acesso, como as regiões de mineração, começam a ser usadas com sucesso para garantir o serviço a populações vulneráveis, especialmente aquelas que vivem em locais com topografia difícil, comunidades ribeirinhas, áreas rurais ou assentamentos urbanos não regularizados, sem depender de grandes obras de infraestrutura.

“A adoção do saneamento móvel permite que as concessionárias antecipem a universalização do serviço em regiões onde a implantação definitiva da rede demandaria altos investimentos e prazos longos”, afirma a diretora da Liderban, empresa especializada em saneamento móvel, Ludmila Merçon. Segundo ela, são alternativas ágeis, economicamente viáveis e escaláveis em relação ao modelo tradicional de expansão de redes.

O modelo coleta resíduos diretamente nos domicílios sem conexão à rede coletora e transporta os efluentes até estações de tratamento, em parcerias entre concessionárias e prestadoras de serviço. Também existe a possibilidade de utilização de miniestações de tratamento móveis. São utilizados caminhões pipa para fornecimento de água potável, ao mesmo tempo que são realizadas limpezas de fossas e fornecidos banheiros hidráulicos e modulares. “Estamos prontos para atender concessões públicas com a agilidade que o momento exige”, afirma a executiva.

Flexibilidade tecnológica

Reconhecido oficialmente pela Resolução ANA nº 150/2021, a solução permite flexibilidade tecnológica e prestação de serviços em formatos diversos, desde que atenda às metas e parâmetros de desempenho.
Um exemplo vem de Blumenau (SC), onde a concessionária BRK firmou parceria com a prefeitura para atender 40% das residências com saneamento móvel. Atualmente, apenas 48% da população da cidade tem esgoto tratado – o ideal seria 84%. A solução, além de ampliar rapidamente a cobertura, também representa economia: as tarifas do modelo móvel podem ser até 30% mais baratas e os custos de implantação até 40% menores.

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