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Ex-ministro Maílson da Nóbrega analisa entraves ao crescimento brasileiro em livro

Autor avalia que o Brasil ainda enfrenta obstáculos históricos que limitam seu potencial de crescimento
Ex-ministro Maílson da Nóbrega analisa entraves ao crescimento brasileiro em livro

O economista Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda entre 1988 e 1990, lança o livro “O Brasil ainda pode ser um país rico? – O desafio da produtividade”, no qual avalia os fatores que podem levar o País à prosperidade ou mantê-lo preso à chamada armadilha da renda média. A obra, publicada pela Matrix Editora, reúne análise histórica e diagnóstico atual sobre os desafios estruturais da economia brasileira.

Sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega parte de uma comparação entre diferentes trajetórias de desenvolvimento. Ele revisita da Antiguidade à Revolução Industrial para explicar por que algumas nações prosperaram enquanto outras ficaram para trás. O Brasil, segundo ele, ainda enfrenta obstáculos históricos que limitam seu potencial de crescimento.

O economista contrapõe o modelo de colonização inclusivo da América do Norte ao modelo extrativista adotado na América Latina. Também analisa casos como a decadência da Argentina sob o populismo peronista e a ascensão da China, impulsionada por reformas econômicas pragmáticas e por uma tecnocracia orientada a resultados.

No centro da argumentação está a produtividade. Para Maílson da Nóbrega, trata-se do único motor sustentável de geração de riqueza, sobretudo em um contexto de envelhecimento populacional e redução da população em idade ativa. Sem ganhos consistentes de eficiência, afirma, o país tende a crescer pouco e a conviver com renda estagnada.

Maílson da Nóbrega
Ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega defende agenda centrada em produtividade | Foto: Reprodução LinkedIn

Entre os entraves, o ex-ministro destaca a rigidez fiscal herdada da Constituição de 1988. Segundo ele, o elevado volume de despesas obrigatórias compromete a capacidade de investimento do Estado e dificulta o equilíbrio das contas públicas.

Maílson da Nóbrega também aponta fatores institucionais, como insegurança jurídica e decisões judiciais que, na avaliação dele, nem sempre consideram os impactos econômicos. Outro ponto abordado é a resistência cultural ao capitalismo, que, segundo o autor, influencia o ambiente de negócios.

Ativos estratégicos e agenda política

Apesar das críticas, o economista identifica ativos relevantes. Cita a atuação do Banco Central, a competitividade tecnológica do agronegócio e oportunidades na indústria extrativa e na infraestrutura logística com maior participação da iniciativa privada.

A obra também propõe uma revisão na agenda política. Para Maílson da Nóbrega, setores da esquerda, especialmente o Partido dos Trabalhadores, precisam atualizar suas posições e priorizar eficiência, investimento e inovação. A defesa é de um novo pacto de crescimento baseado em reformas estruturais.

Ao longo de 373 páginas, o livro apresenta uma análise voltada a empresários, gestores e formuladores de políticas públicas interessados em compreender os condicionantes do crescimento brasileiro e as alternativas para superar a estagnação.

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