Financiamento verde: BDMG impulsiona projetos de baixo carbono
O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) lançou na segunda-feira (17), no contexto da COP30, um novo Framework de Finanças Sustentáveis. O instrumento habilita o banco a futuras emissões de títulos verdes, sociais e sustentáveis e adota pela primeira vez a Taxonomia Sustentável Brasileira, que define atividades econômicas enquadradas como sustentáveis. O documento foi elaborado com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e recebeu avaliação considerada excelente pela Sustainable Fitch.
Os títulos sustentáveis são papéis de dívida destinados ao financiamento de iniciativas com impacto ambiental e social. Ao emitir esses instrumentos, o BDMG capta recursos no mercado para projetos como produção de combustíveis limpos, agricultura regenerativa e ações de descarbonização. Com uma carteira sustentável estimada em R$ 3,5 bilhões em 2025, o banco busca fortalecer empresas de todos os portes e municípios mineiros na adaptação aos efeitos das mudanças climáticas e na redução de vulnerabilidades.
O Framework também cria categorias que permitem identificar projetos com potencial de resiliência climática e redução comprovada de emissões, distinguindo essas iniciativas das ações mais tradicionais de mitigação. A publicação amplia ainda os setores considerados financiáveis, incluindo segurança alimentar para pequenos produtores rurais e minerais críticos à transição energética e digital. Os financiamentos podem contemplar bioeconomia, agricultura 4.0, energia limpa, conectividade, saneamento e controle de poluição.
Financiamento e exemplos práticos
Um exemplo é a ZEG Aroeira, parceria entre GasBio e Bioenergética Aroeira, primeira produtora de biometano de Minas Gerais, sediada em Tupaciguara. O combustível é usado para abastecer frotas e fornecer energia à indústria, reduzindo em até 90% as emissões de CO₂. A empresa está dobrando sua capacidade com a construção de dois biodigestores. A ampliação deve elevar a produção diária para cerca de 30 mil metros cúbicos, projeto financiado com linhas sustentáveis do BDMG.
Henrique Ceotto, diretor de Novos Negócios e Estratégia da GasBio, afirma que a unidade produz biogás a partir da vinhaça, resíduo da cana. Após purificação, o material se transforma em biometano destinado ao uso em caminhões, máquinas agrícolas, na produção de fertilizantes e para um hub logístico de abastecimento em implantação em Uberlândia.
Práticas internacionais e perspectivas
O apoio técnico do BID em 2020 viabilizou a emissão do primeiro título sustentável de uma instituição financeira de desenvolvimento no país, no valor de US$ 50 milhões, adquirido pelo BID Invest. Annette Killmer, chefe da representação do BID no Brasil, avalia que Minas Gerais reúne condições para liderar a agenda sustentável. Ela afirma que o novo framework amplia o acesso do BDMG ao mercado internacional de dívidas e contribui para transformar potencial em projetos de impacto.
A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, destaca que a adoção dos novos critérios sinaliza ao mercado a busca por uma economia mais competitiva e transparente.
O presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, afirma que o instrumento está alinhado às práticas internacionais e aos compromissos de organismos multilaterais. Ele avalia que o framework amplia os efeitos positivos dos projetos financiados pelo banco.
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