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Geopolítica e IA são os principais desafios dos CEOs brasileiros

Tecnologia e dados: os setores que devem receber a maior parte dos investimentos, segundo estudo feito pela EY
Geopolítica e IA são os principais desafios dos CEOs brasileiros
Foto: Reprodução Adobe Stock

Um ano marcado por Copa do Mundo e eleições por si só já impõe dificuldades suficientes para empresários e gestores de empresas, mas 2026 inclui no cardápio questões geopolíticas de alcance global, eventos climáticos cada vez mais extremos e um alto custo do dinheiro dentro e fora do Brasil. Apesar de tudo isso, a mais recente versão da pesquisa CEO Outlook Pulse, feita pela EY – uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo -, mostra um certo otimismo diante dos desafios.

Ao mesmo tempo em que as tensões comerciais e as implicações da adoção da inteligência artificial lideram o ranking das preocupações, com 44% cada, seguidos por limitações na capacidade de inovação e na infraestrutura (40%) e incertezas macroeconômicas e de mercado, que englobam, por exemplo, disponibilidade de crédito, taxas de juros e inflação (36%), todos esperam realizar algum tipo de transação nos próximos 12 meses como Joint Ventures (JVs), fusões e aquisições (M&As) ou desinvestimentos. A maioria (80%) sinalizou as JVs e alianças estratégicas como principal transação, enquanto 60% representa os M&As e apenas 26% em IPOs, desinvestimentos ou spin-offs.

De acordo com o sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon, Leandro Berbert, a pesquisa revela uma certa “casca” criada pelos gestores ao longo do tempo.

“O cenário geopolítico global vem se mostrando instável há bastante tempo e isso, claro, afeta o ambiente de negócio, mas, de alguma forma, já aprendemos que o mundo não para. 2025 foi marcado pela questão do ‘tarifaço’ norte-americano, que causou pânico no início, mas que de maneira geral, nos saímos muito melhor do que era previsto. Então, entendo que os CEOs apresentam uma espécie de ‘otimismo controlado’ diante dos atuais desafios, digamos assim”, analisa Berbert.

Leandro Berbert
Para Leandro Berbert, os CEOs apresentam uma espécie de ‘otimismo controlado’ diante dos atuais desafios | Foto: Marcelo Omena

Tecnologia e dados são áreas que os CEOs pretendem investir mais, segundo o estudo. O objetivo principal é proteger as cadeias produtivas executando táticas como produzir bens no país onde serão vendidos, num conceito de “localização”, e criar cadeias de suprimentos regionais para atender a um bloco específico, seguindo um critério de “regionalização”.

O levantamento mostra que 94% dos entrevistados disseram que já desenvolveram um plano ou concluíram ações de localização e regionalização em suas empresas.

Dessa forma, o nível de inovação, a qualidade da infraestrutura e as condições de mercado, e regulamentações relacionadas à sustentabilidade e aos critérios ESG são os fatores mais considerados como facilitadores dos planos de localização/regionalização com respectivamente 58%, 58% e 50% das respostas.

“O principal ponto observado pelos gestores segue sendo os custos. Com o mercado de capitais fechado e o custo de dinheiro alto, o controle dos gastos é o maior desafio dos CEOs. Se nessa lista o ESG não aparece no topo, indiretamente ele segue entre os fatores mais importantes porque está incorporado nos riscos do negócio. A decisão de abrir uma planta produtiva perto do mercado consumidor pode ser modificada, por exemplo, pela possibilidade de eventos climáticos extremos”, pontua.

Em relação ao portfólio, 58% dos entrevistados afirmaram que pretendem aumentar o investimento para acelerar a transformação do portfólio nos próximos 12 meses e 36% afirma que deve manter um nível de transformação consistente com os últimos anos.

E para isso, as principais formas de conseguir alavancar o portfólio são aumento da receita ou melhoria das margens (60%), captação de novo capital por meio de emissão de dívida ou empréstimos bancários (19%), captação de capital de acionistas existentes ou novos (17%) e, por fim, venda de ativos não essenciais (4%).

Quando perguntado sobre a motivação que gera essa mudança no portfólio, o principal indicativo é a melhora no desempenho financeiro (45%), seguido por foco na criação de valor no longo prazo em vez do desempenho no curto prazo (17%) e redução da complexidade organizacional para criar modelos operacionais mais ágeis (10%).

“Cerca de 94% dos gestores estão trabalhando para transformar, melhorar a performance do portfólio atual, melhorar o resultado. Quando olhamos as pesquisas anteriores notamos uma preocupação explicitada com a estruturação, principalmente, operações futuras, de como estabelecer operações mais sustentáveis”, afirma o sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon.

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