JAH Açaí investe US$ 340 mil no Chile e prevê cinco unidades no país até o fim de 2026

Rede de Conselheiro Lafaiete inaugura duas lojas em Santiago, prevê mais três até o fim do ano e aposta no modelo store in store para reduzir custos
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JAH Açaí investe US$ 340 mil no Chile e prevê cinco unidades no país até o fim de 2026
Fora do Brasil, empresa tem unidades na Alemanha (foto) e em Portugal | Foto: Isabela Boeachat

Depois de iniciar a internacionalização pela Europa, com operações na Alemanha e em Portugal, a franquia mineira JAH Açaí, Sorvetes e Picolés chega à América Latina. Fundada em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas Gerais, a marca acaba de inaugurar duas unidades em Santiago, no Chile, e se prepara para abrir outras três no País, com investimento total de US$ 340 mil. A expansão marca também a aposta em um novo formato de negócio, o store in store, que instala pontos de venda dentro de estabelecimentos já existentes e reduz os custos de implantação.

A entrada no mercado chileno faz parte de uma estratégia de internacionalização que, de acordo com o CEO da JAH, Rafael Corte, não estava entre as prioridades da companhia, mas acabou acontecendo pelo interesse espontâneo de investidores. Foi assim na Alemanha, onde a primeira unidade foi inaugurada em janeiro de 2025, e agora no Chile. A operação latino-americana está nas mãos de um investidor brasileiro que procurava oportunidades para desenvolver uma marca própria de açaí. Durante uma viagem ao Pará, ele recebeu a indicação de conhecer a JAH e mudou de planos, optando por se tornar multifranqueado da rede.

“A verdade é que a gente tem mais oportunidade de expansão em Minas do que no exterior, então a internacionalização não foi algo que a gente buscou. Buscaram a gente porque o JAH tem um sincretismo brasileiro, o acolhimento no atendimento do mineiro e a questão do açaí, que é da cultura do Norte, que encantam qualquer um. Mas o que nos move não é o glamour da internacionalização porque o JAH não é uma empresa que quer fazer as coisas para gerar números. A gente quer fazer as coisas para gerar prosperidade compartilhada”, afirma.

Quanto custa abrir uma franquia JAH no Chile

No Chile, a estratégia combina unidades store in store, que aproveitam a estrutura de outros estabelecimentos comerciais, com lojas independentes. Uma operação compacta exige investimento de aproximadamente US$ 12 mil, enquanto uma unidade de maior porte, no formato flagship, custa cerca de US$ 65 mil. O retorno estimado é de 12 a 24 meses.

Entre os endereços escolhidos estão o Terminal Turbus de Estación Central, um dos principais terminais de transporte da capital chilena, e uma unidade da Coppelia, tradicional rede de confeitarias, cafeterias e sorveterias da cidade, onde será implantado o modelo store in store. A expectativa é encerrar 2026 com cinco unidades no país.

Para Corte, além do perfil dos consumidores, a estabilidade econômica e a posição do Chile no continente favorecem a entrada da marca e abrem caminho para ampliar a presença na América Latina. “O Chile é o melhor lugar da América do Sul para a gente ser global”, avalia.

Cardápio adaptado ao consumidor chileno

A estratégia comercial também passa pela adaptação aos hábitos locais. No Brasil, o consumo de açaí costuma estar associado a combinações mais doces, com acompanhamentos como leite condensado e leite em pó. No Chile, a rede vê espaço para uma apresentação diferente, com mais destaque para o frozen yogurt, as frutas e combinações que Corte chama de “menos indulgentes”.

Exportação brasileira sustenta operação no Chile

A chegada ao Chile também muda a estratégia logística da JAH no exterior. Na Europa, a rede precisou desenvolver um parceiro industrial em Portugal para produzir localmente, reproduzindo as receitas e os padrões de qualidade brasileiros. Na América do Sul, a opção foi a exportação direta dos produtos fabricados no Brasil.

Para reduzir a exposição às oscilações do preço do açaí, a empresa trabalha com compras programadas da safra e acordos com fornecedores, o que garante maior previsibilidade de custos e preserva as margens das unidades.

A prioridade, diz Corte, é assegurar condições competitivas aos franqueados, mesmo que isso reduza os ganhos imediatos da franqueadora. Na Alemanha, a empresa passou o primeiro ano sem cobrar royalties enquanto estruturava o suporte à operação. No Chile, a ideia também é construir um negócio sustentável antes de acelerar a expansão.

“A gente poderia simplesmente vender o produto e ganhar uma comissão em cima. Mas queremos que o franqueado gere receita. Estamos investindo agora para construir um caminho de longo prazo. Vamos passar a ganhar dinheiro também com a exportação, que ainda vai permitir baixar o preço para o franqueado”, destaca. A JAH trabalha na certificação de suas fábricas brasileiras para iniciar as exportações à Europa entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Planos para Europa e expansão em Minas

A rede projeta fechar 2026 com R$ 210 milhões de faturamento e mais de 200 unidades ativas. Além do Chile, mantém planos para novas operações na Alemanha e em Portugal e projetos na França e na Espanha. No Brasil, o crescimento segue concentrado em Minas Gerais, especialmente no Sul do Estado e no Triângulo Mineiro.

Thaíne Belissa
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Thaíne Belissa

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