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Meu Bolinho: Startup de BH conecta público e fornecedores

Após desafios familiares e financeiros, Luana Ávila transformou a paixão pela confeitaria em um negócio sólido de sucesso
Meu Bolinho: Startup de BH conecta público e fornecedores
Viagem à França transformou a vida da mineira a partir da conexão com a confeitaria | Foto: Diário do Comércio/Leonardo Morais

Quem passa pelas vitrines repletas de doces e croissants na cafeteria Kantine, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, dificilmente imagina a reviravolta que antecedeu o sucesso da marca. À frente do negócio, a confeiteira Luana Ávila transformou uma produção caseira, iniciada em uma pequena casa na cidade, em algo sólido que hoje fatura R$ 5 milhões ao ano e já prepara a abertura da terceira unidade.

Mesmo conectada à cozinha desde a infância, a uberlandense escolheu o turismo como profissão, formando-se e exercendo a atividade até uma viagem de doutorado à França, que mudou perspectivas de vida.

O contato com a culinária francesa reacendeu uma paixão adormecida que motivou o interesse no curso de gastronomia, que passou a ser realizado em paralelo com a atual profissão por algum tempo. “Me sentia feliz no meio das panelas e o que mais gostei foi a confeitaria. Tinha uma carreira muito bem desenhada na educação, e abandonei tudo para estagiar na França”, detalha a empreendedora.

Ao chegar na Europa, Luana Ávila iniciou um estágio em um restaurante com estrela michelin, o Le Vivarais, no qual em poucos meses já substituia provisioriamente o chefe confeiteiro. No entanto, uma tragédia mudou os planos da então estagiária em pouco tempo no país francês: a morte precoce do marido em um acidente.

“Além de perder o meu marido, não tinha mais renda, devolvi o apartamento e precisei retornar ao Brasil”, relembra.

Em busca de recomeçar a vida, a profissional alugou uma pequena casa no Centro de Uberlândia e começou a produzir doces ao mesmo tempo em que conciliava com outro emprego, iniciando a jornada da própria cafeteria, a Kantine. “Formalizei a minha empresa em 2020, comecei a fazer croissants que aprendi na França e foi um sucesso

Com o fim da pandemia e a crescente demanda, a empreendedora construiu a própria loja, inaugurada em 2022, apostando em uma operação à la carte digital com produtos de cafeteria, até então inéditos em Uberlândia. “Abri com 30 lugares e passaram 300 pessoas na loja. Após a abertura, continuou dando muita gente, com filas diárias”, detalha Luana Ávila.

No ano passado, a Kantine inaugurou a segunda unidade, no complexo Vinhedos, Zona Sul da cidade. Para 2026, a empreendedora já fechou contrato para 3ª loja, desta vez no Granja Marileusa, um bairro planejado em crescimento que promete acomodar mais de 20 mil pessoas nos próximos anos.

Ao pensar em futuras expansões, a empreendedora deseja alçar voos para além de Uberlândia, ou até mesmo investir no modelo de franquia. “Temos um movimento muito forte de novidades, de valorizamos o produto artesanal, mas penso também na possibilidade de franquia”, explica.

Cafeteria aposta em fusão de sabores franceses e brasileiros

Foto: Diário do Comércio/Leonardo Morais

No cardápio, os croissants são protagonistas, e correspondem por 60% do total de pedidos. As opções são variadas, do tradicional com farinha francesa e pura manteiga, aos recheados com presunto parma, queijo, frango e requeijão.

A ideia, segundo a empreendedora, é integrar o clássico com o toque brasileiro. “É uma fusão interessante de sabores, mais leve, menos doce, mais sazonal e moderna. Criamos todas as receitas”, comenta Luana Ávila.

Também destacam-se as Choux recheadas (massa leve, clássica da confeitaria francesa), os doces de vitrine, como entremets de coco com frutas amarelas e avelã com chocolate. Dentre os mais pedidos, o doce “Felicidade” se destaca, com uma cúpula de chocolate com calda quente, sorvete, brownie e morango.

Segredo vai além do sabor

O segredo para o sucesso vai muito além do sabor. A evolução do negócio passou pela organização, pela gestão da equipe e sucesso do cliente, com treinamentos constantes, acompanhamento de feedbacks de clientes, além de um rigoroso controle de qualidade com tripla checagem.

“A Kantine é como se fosse uma extensão do meu corpo. Para ser empreendedor precisamos ser obcecados pelo negócio e ter essa vontade de sempre fazer melhor”, avalia Luana Ávila.

Com a consolidação da atividade, a ideia é que a terceira unidade possa atender o público que antes precisava atravessar a cidade, além de conquistar novos. “Mapeamos e triangulamos a cidade para entender onde cabem mais pontos. Esperamos aumentar o faturamento, seguindo com a proposta artesanal e sempre atentos aos comentários de cada cliente”, finaliza.

*O repórter viajou para Uberlândia a convite do Sebrae Minas

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