MRV&Co vende três empreendimentos da Luggo por R$ 166 milhões; um deles fica em BH
A Luggo, proptech da construtora e incorporadora mineira MRV&Co, concluiu, nessa quinta-feira (1º), a venda de três empreendimentos ao Mauá Capital Luggo Fundo de Investimento Imobiliário por R$ 166 milhões. A operação encerra o ciclo da antiga safra de projetos da subsidiária voltada ao aluguel residencial.
Os três ativos somam 437 unidades. Entre eles está o complexo de condomínios Luggo Pampulha, em Belo Horizonte, com 118 unidades. O empreendimento fica na avenida Fleming, nº 510, no bairro Ouro Preto, sobre um street mall da MyMall. Os outros dois são o Luggo Samambaia, em Brasília (DF), e o Luggo Mauá, no Rio de Janeiro (RJ), com 200 e 119 unidades, respectivamente.
O fundo de investimento imobiliário (FII) foi estruturado em julho deste ano pela holding, em conjunto com a gestora Mauá Capital Real Estate e a administradora Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Em 24 de setembro, foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a oferta pública de distribuição de cotas da primeira emissão do Mauá Capital Luggo.
Em comunicado ao mercado, a MRV&Co informou que a proptech concluiu a venda da totalidade das quotas das sociedades de propósito específico (SPEs) proprietárias dos três empreendimentos.
Segundo a construtora mineira, após a transação, a Luggo seguirá atuando na administração de ativos, mas não possui outros empreendimentos prontos ou em construção no momento, diante do atual cenário de juros. A companhia afirma ainda que a alienação está alinhada à estratégia de geração de caixa, desalavancagem e simplificação operacional.
A MRV&Co destaca que a transação gerará R$ 144 milhões em caixa. O valor restante será recebido quando o FII vender os ativos ou no prazo máximo de sete anos. Em julho, a companhia também concluiu a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, da Resia, subsidiária que atua no segmento multifamily nos Estados Unidos.
“Somadas, essas vendas totalizam aproximadamente R$ 590 milhões de geração de caixa com venda de ativos da MRV&Co”, afirma em comunicado.
Desinvestimentos nos Estados Unidos

A venda dos dois ativos localizados no Texas foi concluída por US$ 139 milhões, equivalentes a R$ 716 milhões pela cotação utilizada na ocasião, de R$ 5,15 por dólar. Segundo a companhia, a operação reforça o avanço do plano de desinvestimento da Resia.
A operação também representou redução de US$ 87 milhões, ou R$ 448 milhões, no endividamento líquido consolidado da holding, equivalente a 7,5%. Houve ainda diminuição de US$ 46 milhões, ou R$ 237 milhões, na participação de minoritários (minority interest).
Desde o anúncio do plano de desalavancagem, em dezembro de 2024, o grupo soma cerca de US$ 380 milhões, ou R$ 2 bilhões, em ativos vendidos.
Na ocasião, a empresa informou que continuava trabalhando na venda dos empreendimentos Memorial, o último da safra Legado, e Golden Glades. “Como consequência, teremos o benefício claro de desalavancagem e simplificação da operação da MRV”, afirmou.
Em agosto deste ano, o conselho da subsidiária nos Estados Unidos aprovou vendas adicionais de ativos com o objetivo de ampliar a geração de caixa do grupo. A Resia havia celebrado contratos individuais de compra e venda (PSAs, na sigla em inglês) para alienar seu último projeto legado, o Memorial, localizado em Atlanta, além de cinco terrenos, por R$ 170 milhões.
Segundo a companhia, a estratégia de geração de caixa e aceleração da desalavancagem motivou a decisão de vender o empreendimento Memorial antes de sua estabilização, além de negociar os terrenos abaixo do custo contábil, sem recuperar os juros capitalizados e as despesas com os projetos. Os ativos são Alameda, Cathedral South, New Northtown, Terreno Atlanta e Calhoun.
De acordo com a MRV&Co, essas transações representarão redução de US$ 141 milhões no endividamento, equivalente a R$ 719 milhões pela cotação utilizada na ocasião, de R$ 5,10 por dólar. As operações também contribuirão para reduzir em US$ 27 milhões, ou R$ 138 milhões, a participação de não controladores, além de resultar em impairment de US$ 61 milhões reconhecido nos resultados do segundo trimestre.
Na época, a holding destacou que, somadas às demais vendas de ativos anunciadas ao longo do ano, as transações representarão redução de US$ 290 milhões, ou R$ 1,5 bilhão, na dívida líquida. Desse montante, US$ 62 milhões foram recebidos no primeiro trimestre de 2026, US$ 87 milhões no terceiro trimestre e os US$ 141 milhões restantes seriam recebidos nos meses seguintes.
A empresa também afirmou, na ocasião, que, apesar dos sinais de melhora no mercado multifamily norte-americano, permaneceria focada na desalavancagem e na redução do risco financeiro. “Entendemos que uma estrutura de capital mais sólida constitui a base para uma criação de valor mais consistente e sustentável no longo prazo”, completou.
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