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Obra coloca IA na linha da evolução humana

Dimitri de Melo propõe olhar antropológico sobre a inteligência artificial e destina 100% dos royalties à educação tecnológica
Obra coloca IA na linha da evolução humana
Foto: Divulgação Scapola Comunicação

A tecnologia que escreve, cria imagens e toma decisões não começou no Vale do Silício, mas na nossa necessidade ancestral de transformar pedra em ferramenta. É com esse deslocamento de olhar que o professor e executivo mineiro Dimitri de Melo lança “Homo Algorithmus – um guia definitivo para compreender e liderar na era da Inteligência Artificial” (Alta Books, 2025). A obra se apresenta ao mesmo tempo como livro, plataforma de aprendizagem contínua e movimento social.

O título chega ao mercado com um gesto raro: todos os royalties do autor serão doados para instituições que fomentem educação em IA e tecnologia para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, hoje um dos maiores gargalos da inclusão digital no Brasil.

Logo nas primeiras páginas, o leitor encontra uma surpresa agradável e certamente uma das passagens mais sedutoras do lançamento. A apresentação da obra é “assinada” por Luzia, a mais antiga mulher das Américas, encontrada em Lagoa Santa (MG), e é escrita por inteligência artificial. Melo pediu que a IA assumisse a voz dessa ancestral brasileira para fazer uma espécie de passagem de tocha entre o fogo das cavernas e o “fogo-dado” que hoje incandesce servidores, modelos de linguagem e redes neurais.

Segundo o autor, a ideia foi conectar a pedra lascada ao código, o fogo à nuvem, o fóssil ao dado. O gesto, ao mesmo tempo simbólico e potente, resulta em uma carta poética e tecnológica que entrega o tom do livro: não se trata de endeusar máquinas, mas de lembrar que toda grande inovação só fez sentido quando ampliou o humano.

Dimitri de Melo
A IA é fascinante, afirma Dimitri de Melo | Foto: Divulgação Scapola Comunicação

Sobre essa escolha, Melo explica: “Eu queria que o livro começasse com arrepio e emoção, não com um manual técnico. A IA é fascinante, mas se ela não for compreendida como parte de uma longa linha evolutiva, nos tornamos apenas usuários encantados e não líderes conscientes. Trazer Luzia, uma figura ligada a Minas e à nossa origem, foi a forma de dizer que ‘essa história também é nossa’”.

O ponto de partida de “Homo Algorithmus” é uma ideia rara no mercado de tecnologia, que prega que a IA não é um truque de software, mas sim o próximo braço evolutivo da humanidade. Por isso, o livro faz uma costura antropológica que vai do fogo, das primeiras ferramentas e da escrita até os grandes saltos digitais. Tudo isso para mostrar que toda tecnologia que nos tensiona também nos amplia. “A pergunta não é se a IA vai nos substituir, mas se vamos saber conduzir o algoritmo como parceiro de jornada, e jamais como predador”, escreve o autor, em linha com a abertura narrada por Luzia.

“Homo Algorithmus” também não foi concebido como um volume fechado. Melo estruturou o conteúdo em capítulos que tratam de dados, estratégia, ética, aplicações e liderança, mas espalhou pela obra QR codes que levam o leitor para um ecossistema 360. Área de downloads, videocasts, podcasts, canal no YouTube e, principalmente, a plataforma do curso AI Masters, onde ele atualiza ferramentas, mostra casos e acompanha a evolução da IA generativa. Assim, quem compra o livro entra em um verdadeiro ambiente vivo, que acompanha o ritmo acelerado da tecnologia.

Esse desenho responde a um desafio concreto: livros sobre tecnologia costumam envelhecer rápido. Aqui, o corpo teórico permanece porque é calcado em antropologia, gestão e estratégia. O que muda, atualiza-se on-line. Para o leitor, é uma vantagem dupla, com conteúdo denso e, ao mesmo tempo, uma trilha contínua de atualização.

“A discussão sobre IA está muito marcada por hype e pouco por método. Minha proposta foi trazer método e mostrar como coletar dados, como pensar em arquitetura de decisões, como conectar IA ao negócio. Ao mesmo tempo em que o leitor visualiza isso tudo, ele aprende a criar uma camada viva que acompanhe as mudanças de modelos, ferramentas e frameworks”, afirma o autor.

Tecnologia com propósito social

O anúncio de que 100% dos royalties do autor serão destinados a iniciativas de educação em IA e tecnologia para jovens vulneráveis não foi uma decisão de marketing, mas parte do próprio conceito do livro. Melo tem defendido que o Brasil está às vésperas de uma nova desigualdade: a desigualdade algorítmica, aquela que separa quem sabe usar IA de quem sequer tem repertório para começar.

Ao destinar a remuneração autoral para projetos educacionais (instituições serão divulgadas ao longo da campanha de lançamento) e ao liberar acesso gratuito ao AI Masters para professores da rede pública, o autor aproxima o discurso de inovação da sala de aula real.

“Se só o executivo, o founder ou o consultor de alta renda tiver acesso a IA, a gente só vai reorganizar o topo da pirâmide. Eu queria que o livro também irrigasse a base. Por isso, o modelo social, no qual o conteúdo circula, mas parte dele volta para quem mais precisa”, diz Melo.

Esse viés ESG é reforçado pela própria forma de narrar o tema. Em vez de um texto frio sobre ferramentas, o autor costura ética, governança, impacto, educação e negócios, mostrando que a IA não pode ser discutida separada de quem será incluído (ou excluído) por ela.

Decisão automatizada deixa liderança em xeque

Um dos diferenciais da obra “Homo Algorithmus – um guia definitivo para compreender e liderar na era da Inteligência Artificial”, segundo o autor Dimitri de Melo, é o mergulho antropológico. Melo argumenta que cada ferramenta que a humanidade adotou, como fogo, cerâmica, imprensa e computador, nos obrigou a rever postura, cultura e formas de cooperar. A IA, portanto, se insere nessa linha evolutiva, com a diferença fundamental de que ela passa a operar também no campo da linguagem, da imagem e da decisão, o que pede mais vigilância e mais intencionalidade.

O livro é, portanto, uma espécie de manual de navegação para esse mar revolto, já que explica o que é IA, mostra onde estão os riscos (vieses, mau uso, desinformação), indica como organizar dados e como estruturar equipes e negócios orientados por algoritmo.

Ao mesmo tempo, Melo mantém o texto bastante acessível. Ele tem mais de duas décadas traduzindo tecnologia para conselhos, C-levels, profissionais de saúde, advogados, educadores e gestores públicos e condensa todo esse repertório ao longo das páginas para falar de IA sem jargão excessivo, mas sem simplificá-la demais. De acordo com ele, a obra foi pensada para quem está sob pressão para “fazer algo com IA” e precisa de um fio condutor:

“O futuro do trabalho não será homem contra máquina, será homem com a máquina. E quem não aprender a orquestrar essa dupla não será substituído pela IA, será substituído por quem usa bem a IA”, provoca o autor em um dos trechos.

O lançamento de “Homo Algorithmus, um guia definitivo para compreender e liderar na era da Inteligência Artificial” será apenas a primeira jornada desta história. Em um futuro próximo, o plano é lançar um segundo volume, mais específico, focado em Marketing e Analytics em suas aplicações contemporâneas. “O conteúdo é tão extenso que um livro só seria pouco. Começamos por essa visão macro, mas já está nos planos nos aprofundarmos nas aplicações da IA em áreas específicas”, conclui Melo.

Currículo global dá lastro ao livro

Mineiro, executivo C-level (CEO/CMO/CDO) e hoje uma das referências brasileiras em transformação digital e IA, Dimitri de Melo reúne uma trajetória que legitima o livro. É mestre pela Fundação Dom Cabral, cientista de dados pela USP, tem formações em Harvard Business School, Wharton e Vanderbilt, foi premiado nacionalmente em Inteligência de Mercado, eleito melhor franqueador do País por cinco anos consecutivos e nomeado “Pequeno Gigante” pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios em plena pandemia.

Morou na China e ali consolidou uma visão global sobre inovação e velocidade. Hoje, além de professor e palestrante, atua como conselheiro e executivo e aplica, no dia a dia, as mesmas estratégias que descreve em “Homo Algorithmus”. É, nas palavras de um de seus leitores, “um Homo Algorithmus em ação”.

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