Startup mineira Oppem projeta faturamento de R$ 11 milhões e prepara expansão internacional
Em um ambiente em que a eficiência e a competitividade são fundamentais, o controle sobre contratos e projetos se tornou uma frente importante para reduzir custos, evitar atrasos e melhorar a execução de projetos. É nesse mercado que a Oppem, startup de Belo Horizonte e especializada em gestão digital de contratos, vem crescendo. A empresa estima faturar R$ 11 milhões em 2026, o que se alcançado, ficará 57% maior que os R$ 7 milhões registrados no ano passado.
Hoje, startup, que tem como clientes multinacionais, administra cerca de 5 mil contratos de 20 empresas, que somam R$ 11 bilhões em valor sob gestão. Com os bons resultados alcançados em nível nacional, a Oppem está se preparando para a expansão internacional nos próximos meses. A entrada no exterior será puxada pelos próprios clientes, que possuem unidades fora do Brasil. A Oppem negocia levar sua plataforma para operações no Peru, Chile, Paraguai, Argentina, Colômbia e México.
“Não estava nos planos internacionalizar, mas a gente está com uma ótima relação com os nossos clientes e eles têm unidades fora do País. A internacionalização vai acontecer naturalmente”, explica o CEO da Oppem, Rafael Gontijo.
Criada por engenheiros com experiência na gestão de contratos e de projetos de engenharia, a Oppem desenvolveu uma plataforma para acompanhar a execução dos contratos desde o desempenho e a produtividade até os avanços físicos e financeiros. A ferramenta também monitora a relação entre diferentes contratos que fazem parte de um mesmo empreendimento, permitindo acompanhar se preço, prazo e qualidade estão de acordo com o que foi contratado.
“Fui engenheiro por 15 anos e esse era, literalmente, o meu trabalho, era o cronograma, acompanhamento de processo, de projeto, de contrato, só que tudo manual. Chegou um momento, em que não era possível continuar da mesma forma, então, junto aos sócios, desenvolvemos a plataforma. A ferramenta permite transformar processos que tradicionalmente eram acompanhados de forma manual em uma gestão digital, com alertas sobre desvios e necessidade de correção. O sistema utiliza tecnologia e Inteligência Artificial (IA) para identificar problemas relacionados ao cronograma, efetivo, qualidade e outros parâmetros previstos nos contratos”, explica.
Entre os resultados obtidos pelos clientes estão casos de redução de quase 70% nos valores de pleitos, que são reivindicações decorrentes de desequilíbrios contratuais. A empresa também registra redução de 100% em desvios de função e melhora de cerca de 50% na aderência aos prazos contratuais. A solução é utilizada por empresas de siderurgia, mineração, alimentos, agronegócio, celulose, ferrovias e concessões rodoviárias.
Segundo Gontijo, a princípio, a plataforma teria como principal setor a mineração, mas a diversificação ocorreu depois que os sócios perceberam que a necessidade de controle contratual se estendia a diferentes setores, já que a solução resolvia um problema em comum.
Para atender de forma cada vez mais eficiente, a Oppem direciona constantemente recursos para o aprimoramento da plataforma e desenvolvimento de soluções de inteligência artificial. Segundo Gontijo, a receita está sendo utilizada em testes, validações e desenvolvimento de camadas e agentes próprios de IA.
Criada há oito anos, a Oppem cresceu principalmente com recursos próprios e conta atualmente com cerca de 44 colaboradores, número que deve chegar a 50 até o fim de 2026. Para Gontijo, a digitalização ainda enfrenta resistência cultural nas empresas, mas a busca por eficiência deve ampliar a adoção de ferramentas tecnológicas.
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