P7 Criativo reúne quase 100 empresas e aposta na economia criativa para diversificar negócios em BH

Hub especializado impulsiona setores como moda, design e tecnologia em Minas Gerais
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Criado em 2016, o P7 Criativo é reconhecido como o primeiro hub brasileiro especializado em economia criativa. Ele atua em setores como moda, design, audiovisual, gastronomia, tecnologia, cultura e comunicação, com foco em transformar repertório criativo em negócios estruturados, sustentáveis e conectados ao mercado.

Cravado no coração de Belo Horizonte, a Praça 7, no icônico “prédio do Bemge”, projetado por Oscar Niemeyer, o espaço registrou mais de 85% de ocupação, quase 100 empresas residentes, circulação diária estimada em mais de mil profissionais no ano passado.

Nessa entrevista exclusiva, a gerente de economia criativa do P7 Criativo, Márcia Andrade, fala sobre a vocação da Capital para a economia criativa e como o P7 ajuda os empreendedores.

O P7 foi criado a partir de uma articulação entre Fiemg, Sebrae Minas, Codemge, Fundação João Pinheiro e Governo de Minas Gerais. Hoje, qual a configuração do P7?

Vou voltar 10 anos atrás. Essas entidades se reuniram para pensar uma nova economia para Minas Gerais. Quais eram as novas indústrias? E através do benchmarking, viram que as indústrias criativas são as que mais crescem mundialmente, como gastronomia, moda, design, games, tecnologia, inovação, patrimônio, cultura, turismo etc. E escolheram um patrimônio do Niemeyer para ser a sede do P7 Criativo. Esse prédio é de 1953 e foi totalmente restaurado e reformado para receber a Casa da Indústria Criativa em Minas Gerais. E nós formamos o primeiro hub de economia criativa do Brasil, em 25 andares, respirando arte, cultura, tecnologia e inovação.

Tudo isso em um Estado ainda muito ligado às atividades de base como mineração e agricultura?

Exatamente por isso. As nossas cidades ainda são muito dependentes da mineração, mas a gente tem outros fatores, outras vocações em nossas cidades que precisavam ser despertadas. Essas vocações são indústrias mesmo, como o audiovisual, a música, a tecnologia e a inovação. Tem a nossa gastronomia, que é referência. E foi nisso que pensamos: valorizar e desenvolver a nossa indústria que está enraizada nas nossas vidas. E outra coisa interessante, é que as pessoas perguntam: “Por que P7?” Nós estamos no coração de BH, na Praça 7. Então, é uma homenagem à Praça 7. E a gente quer estar aqui para, primeiro, ajudar na revitalização do nosso centro que durante anos ficou um pouco abandonado, estamos aqui para nos juntar às outras economias do Centro, trazendo a população de volta para cá. Então aqui no P7, a gente tem desde estudantes até altos executivos. E a gente quer isso, ter mulheres, homens, brancos, negros, cultura, tecnologia, inovação, tudo no mesmo ambiente.

E Belo Horizonte nasceu sob a égide da modernidade, né?

Herdamos esse legado. Crescemos com a modernidade e sendo apoiados pelas nossas grandes faculdades. BH respira conhecimento. Temos muitas parcerias com faculdades, universidades e estudantes. Nas áreas de tecnologia, saúde, educação. Então, a gente tem esse elo bem forte com a academia. E temos aqui dentro a Fiemg. Então, temos o Sesi (Serviço Social da Indústria) como parceiro, com seus serviços e produtos, com capacitação em diferentes áreas. A gente tem que entregar. A indústria tem que entregar e tem que ajudar no crescimento econômico da cidade, do nosso Estado, do País. Estamos aqui para isso. Hoje temos mais de mil residentes. Somos uma casa aberta. O nosso objetivo é a conexão de negócios.

Andando pelo P7 Criativo a gente percebe que um dos espaços mais movimentados é o Fiemg Lab. Quem trabalha aqui?

A Fiemg é o nosso grande parceiro do ecossistema. O Lab nos alimenta com startups. São startups selecionadas para se desenvolver, se conectar, fazer negócios. O papel fundamental do Fiemg Lab é juntar a grande indústria com a indústria pequena e com as startups. Essa é a cultura que nós construímos. A gente cresce com essa cultura e também levando a nossa tecnologia e o desenvolvimento.

Sede do P7 Criativo em BH
Sede do P7 Criativo em BH é um prédio de 1953, que foi totalmente restaurado e reformado | Foto: Diário do Comércio / Leonardo Morais

São muitos espaços, mas um dos mais interessantes é o laboratório aberto. O que acontece nele e quem pode utilizá-lo?

Fica no oitavo andar do P7 Criativo. É onde se faz prototipagem e impressão 3D. Ele é aberto a qualquer pessoa que queira transformar a sua ideia em um negócio. O laboratório pertence ao Senai e funciona sob agendamento. A pessoa marca e vem conversar com os técnicos para transformar a ideia em produto.

Um dos espaços mais concorridos do P7 é o Niê Restaurante. Você pode falar sobre ele?

O Niê é a nossa cereja do bolo. É um restaurante aberto de segunda a segunda, para almoço, almoço executivo, café da tarde com um pôr do sol maravilhoso, à noite, jantar. Mas à noite ou no final de semana, para uma balada. Tudo com a gastronomia mineira apresentada de um jeito próprio. O nome Terraço Niê é por causa do Niemeyer. Nós temos também um auditório onde as pessoas fazem eventos e alguns salões disponíveis, além do museu e salas modulares com espaços de 30 pessoas até 150 pessoas. Também fazemos muitas consultorias para prefeituras, para desenvolver seus negócios locais. O nosso objetivo é ajudar também os hubs do interior.

E como uma empresa faz para participar do P7 Criativo?

É fácil. Nós temos o site. Peço também que sigam o nosso Instagram: @P7criativo. Lá a gente oferece muitas oportunidades: a pessoa pode trabalhar no coworking, numa sala ou em um andar. Temos diversos eventos abertos ao público, um estúdio de podcast, de filmagens, o Jardim da Presença com meditação aberta ao público na quarta-feira e outros eventos como o Cine P7 na hora do almoço, uma vez por mês.

Sobre o autor

Daniela Maciel

Repórter do Diário do Comércio desde 2011. Graduada em Jornalismo pelo UniBH e em História pela UFMG.


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