Rota Vulcânica aposta em experiências integradas para fortalecer o turismo no Sul de Minas
Lançada em maio do ano passado, a Rota Vulcânica inclui experiências gastronômicas, sensoriais, culturais e de contato com a natureza em 14 municípios, sendo nove na região Sul de Minas Gerais.
De acordo com o analista do Sebrae Minas em Poços de Caldas, Ivan Figueiredo, tudo começou com a Associação dos Produtores do Café da Região Vulcânica.
A formação rochosa da região, advinda de um vulcão extinto há muito tempo, resultou em cadeias de montanhas com altitudes que chegam a 1.500 m. Essa geografia, somada ao solo rico em minerais, ao clima ameno e ao trabalho cuidadoso e profissional dos cafeicultores da região, favorece a produção de cafés de qualidade, um dos principais atrativos da nova rota.
O trabalho começou com a Associação dos Produtores do Café da Região Vulcânica, que há alguns anos vem explorando o tema e despertando a curiosidade do público. Com o apoio do Sebrae Minas, foi identificado um conjunto de produtos e atrativos de alta qualidade ligados à caldeira vulcânica e a uma história comum. Em 2024, a iniciativa passou a envolver os municípios de Poços de Caldas, Andradas e Caldas, que já apresentavam vocação turística.
“A proposta é estruturar experiências turísticas integradas, envolvendo atrativos públicos e empreendimentos privados, como fazendas, vinícolas, fábricas de doces e cristalerias, todos alinhados à narrativa do vulcão e a um modelo de governança regional”, explica Figueiredo.
Em 2025, a Rota Vulcânica foi apresentada em seis feiras de turismo pelo Brasil. O terroir único propiciado pelo solo de origem vulcânica, associado ao microclima da região, faz o diferencial dos produtos agroindustriais e marca até a coloração dos passarinhos, garante o fundador da Caldas Adventure, receptivo da cidade de Caldas, que começou a operar em junho do ano passado, Rodrigo Morais.
Natural de Jundiaí (SP), o empresário chegou à cidade há dois anos e meio, atraído pela natureza exuberante e pela qualidade de vida do município, que tem pouco mais de 14 mil habitantes.
Para dar origem à Pousada Casarão, inaugurada no mesmo mês, ele restaurou o imóvel centenário no centro da cidade, ao mesmo tempo em que estruturava o receptivo.
“Quando cheguei, fui muito bem recebido pela cidade. A hospitalidade do mineiro é sem igual. Esse é um lugar de beleza rara, mas percebi que os próprios moradores não prestam tanta atenção a todo esse potencial. Comecei a trabalhar com um amigo fotógrafo especializado em pássaros, que já fazia passeios pelas trilhas e cachoeiras com turistas. Daí veio a ideia da Caldas Adventure. Já nascemos estruturados para apresentar aos visitantes toda a diversidade de atrativos que temos aqui”, explica Morais.
Uma rota baseada em experiências e cooperação
Em trilhas guiadas, o visitante descobre espécies emblemáticas como o surucuá-variado, a saíra-douradinha, o sanhaçu, o pica-pau-do-campo e muitas outras. Para quem gosta de turismo de aventura, o “boia cross” é uma opção e, em breve, será lançado o rafting.
“Na pousada, servimos o café vulcânico. Depois, é possível conhecer a fazenda produtora, passar por trilhas e terminar a caminhada tomando outro café especial, todos acima de 88 pontos, no pico da montanha, com vista para a caldeira vulcânica. O objetivo é que as pessoas aproveitem ao máximo as experiências da região. A Rota é uma forma de um apoiar o outro e todos crescerem”, pontua o empresário.
E é na colaboração que está a aposta do Sebrae para o desenvolvimento do turismo na região. São mais de 20 empreendimentos e experiências sendo estruturados para atender bem os visitantes, sempre levando a temática vulcânica.
“É um pensamento regional. O turismo acontece no deslocamento das pessoas e no número de dias que elas pernoitam. Por isso, é importante estruturar atividades complementares, com a narrativa vulcânica como linha mestra, capazes de agradar turistas de diferentes perfis e em momentos distintos do dia”, destaca o analista do Sebrae Minas.
ROTA VULCÂNICA
EM NÚMEROS
- Lançamento: maio de 2024
- Abrangência: 14 municípios, sendo nove no Sul de Minas
- Origem: iniciativa ligada à Associação dos Produtores do Café da Região Vulcânica
- Foco: turismo de experiência, com natureza, gastronomia, bem-estar e identidade territorial
- Ativos da rota: trilhas, turismo de aventura, cafés especiais, vinícolas, fábricas artesanais, cosméticos e termalismo
- Empreendimentos envolvidos: mais de 20 experiências em estruturação
- Diferencial: narrativa baseada na caldeira vulcânica e na atuação colaborativa entre municípios e negócios

Poços de Caldas: do termalismo tradicional à nova experiência da Rota Vulcânica
Famosa pelas águas termais, Poços de Caldas recebe turistas do Brasil e do mundo desde o início do século passado e viveu o apogeu dos cassinos nas décadas de 1930 e 1940. As águas sulfurosas, ricas em minerais como cálcio, magnésio e enxofre, a 45°C, são utilizadas para relaxamento e tratamentos de pele e reumáticos.
As Thermas Antônio Carlos, inauguradas em 1931, e o Balneário Dr. Mário Mourão, fundado em 1896 e um dos mais antigos do Brasil, são os principais locais, oferecendo banhos de imersão, duchas e massagens.
A Rota Vulcânica não abre mão dessa experiência, mas vai além. Um exemplo é a Oli Soft, fábrica de cosméticos feitos à base de azeite de oliva.
O empreendimento é comandado pelo agrônomo Gabriel Bertozzi. O visitante é recebido na loja da Oli Soft, um espaço que combina tradição e sofisticação minimalista.
A experiência apresenta a ancestralidade da oliveira e a história da produção do sabão de azeite no Brasil. No local, o público tem contato direto com a matéria-prima, compreende os processos artesanais e experimenta cosméticos exclusivos criados a partir do azeite. Ao longo da vivência, os participantes conhecem a trajetória da marca, observam o design artístico da loja e participam de um momento sensorial de experimentação dos cosméticos.
“O vulcanismo é um mote interessante e a Rota é um ativo do território. Apesar do termalismo, essa característica não era abordada. Cada local tem sua vocação, mas todos fazem parte de uma mesma cultura. Começamos a pensar não só em Poços de Caldas, mas na região da caldeira vulcânica”, pontua Bertozzi.
Criada há 10 anos, a Oli Soft está presente no Mercado Municipal de Poços de Caldas, no Balneário e em hotéis-butique no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de uma pousada em Mariana, na região Central de Minas.

Café e quitandas
Em Andradas, o cafeicultor Bráulio Stivanin Júnior abre a própria casa para receber turistas. A degustação do café Amabilíssimo é acompanhada de quitandas mineiras.
O passeio pela propriedade, que data de 1912, permite o aprendizado sobre a cultura do café e a contemplação da Pedra do Elefante, na borda externa da caldeira.
“Quando surgiu a oportunidade de integrar a Rota Vulcânica, era o que queríamos: mostrar o que acontece da lavoura à xícara. Busquei fazer algo diferente dos meus antepassados. Participamos da Associação Vulcânica e de Cafés Especiais, mas ainda não estava satisfeito. Agora estamos implementando a cafeicultura regenerativa. A ideia é mostrar que é possível produzir com responsabilidade e ter lucro, deixando um legado para as futuras gerações. A visitação ainda está no começo e vamos fazer uma reforma para receber melhor”, afirma Stivanin Júnior.
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