Startup desenvolve IA para monitorar pacientes do SUS e negocia expansão em Minas Gerais

Next2U já realizou diagnósticos de saúde em quatro municípios mineiros e prevê receber 5 mil relógios inteligentes para ampliar testes da plataforma
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Startup desenvolve IA para monitorar pacientes do SUS e negocia expansão em Minas Gerais
A meta é que o VitaHub reúna cerca de 20 hospitais de todo o Brasil para participar da plataforma de inovação em saúde | Crédito: Reprodução Adobestock

A startup mineira Next2U negocia a implantação de uma plataforma de inteligência artificial para monitoramento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em municípios de Minas Gerais. A empresa já realizou diagnósticos da rede pública de saúde em Mariana e Congonhas, na região Central, além de Arcos e Oliveira, na região Centro-Oeste. E segundo o diretor de comunicação e storytelling da Next2U, Paulo Álvares, algumas dessas cidades já estão em processo de contratação do serviço.

A tecnologia combina inteligência artificial e relógios inteligentes para acompanhar pacientes com doenças crônicas e identificar alterações em indicadores de saúde. Em fase de testes clínicos com voluntários em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o projeto prevê receber um lote de 5 mil dispositivos importados da China entre o fim de novembro e o início de dezembro deste ano.

A plataforma é voltada principalmente a pacientes com hipertensão, diabetes ou problemas cardíacos que apresentam outras doenças associadas e utilizam vários medicamentos. A proposta é utilizar os dados individuais para apoiar o acompanhamento pelas equipes municipais de saúde.

“Esse paciente significa cerca de 2,5% da população brasileira, só que ele consome mais de 60% do orçamento do SUS”, esclarece Álvares, ao destacar a importância da solução para a saúde pública.

Plataforma combina IA e relógios inteligentes

A solução prevê um agente de inteligência artificial para cada paciente acompanhado. O sistema cruza informações sobre doenças, medicamentos, hábitos de vida e sinais vitais para construir um histórico individual e auxiliar no monitoramento.

Os relógios inteligentes utilizados no programa foram desenvolvidos especificamente para a iniciativa. Eles acompanham indicadores como pressão arterial, variação dos batimentos cardíacos, glicose, saturação, temperatura, sono e atividade física.

A identificação dos pacientes deverá começar pela análise de prontuários da rede municipal, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial. Depois, agentes comunitários de saúde e equipes do Programa Saúde da Família deverão participar da busca ativa e da orientação dos pacientes selecionados.

A implantação também prevê treinamento das equipes municipais e instalação de um aplicativo de monitoramento nos celulares dos pacientes. Segundo Álvares, o início efetivo do acompanhamento poderá ocorrer entre três e seis meses após o começo do processo de implantação.

Modelo prevê cobrança por paciente monitorado

A Next2U pretende comercializar a plataforma por meio de licenciamento calculado conforme o número de pacientes acompanhados. O foco inicial é o setor público, mas a empresa também prevê oferecer a solução a operadoras de planos de saúde.

Conforme Álvares, o custo fica em torno de R$ 160 mensais por relógio utilizado. A operação inclui uma estrutura de monitoramento para apoiar os profissionais de saúde dos municípios.

A expectativa da empresa é reduzir internações e reinternações de longa duração, com impacto sobre os gastos públicos. Álvares estima que a economia potencial possa alcançar de cinco a oito vezes o valor investido pelas prefeituras. “Esse investimento, que é feito nesse sistema, tem um potencial de retorno de até oito vezes o valor investido”, explica.

A projeção, contudo, depende dos resultados alcançados com a implantação do serviço. Como a plataforma ainda está em fase de testes, não foram apresentados na entrevista dados independentes que comprovem a economia estimada.

Startup busca investidores e proteção internacional

Além de avançar no mercado brasileiro, a Next2U busca ampliar o acesso a recursos computacionais e a investidores internacionais. Segundo Álvares, a empresa está em contato com o ecossistema de inovação de Berlim e participa do programa NVIDIA Inception, voltado a startups. “Queremos intensificar o poder computacional para esse projeto. E também queremos, nessa viagem para Berlim, o acesso a investidores internacionais”, diz.

A empresa também trabalha na proteção da tecnologia. De acordo com Álvares, já foi protocolado um pedido de patente nacional, e a equipe jurídica prepara os próximos passos para buscar proteção internacional.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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