Vale vende fatia majoritária na mina de Thompson para consórcio liderado por canadenses
A Vale Base Metals (VBM), subsidiária da mineradora Vale , decidiu vender uma fatia majoritária de ativo no cinturão de níquel Thompson, em Manitoba, para um consórcio de compradores, em uma operação que levará à criação de uma nova empresa de níquel no Canadá.
O consórcio de compradores inclui a empresa de exploração Exiro Minerals, com sede em Toronto, a empresa de private equity Orion Resources Partners e o Canada Growth Fund.
A Vale manterá uma participação de 18,9% na nova empresa, que se chamará Exiro Nickel, e assinou um contrato de “offtake” com ela por cinco anos.
Com a transação, a Vale reduz sua participação no ativo que vinha tendo um desempenho abaixo do esperado, e ainda garante investimentos para recuperar a produção de níquel, importante metal para transição energética.
O novo consórcio investirá US$200 milhões na mina, que a Vale mantém em revisão estratégica desde o ano passado, devido à queda do preço do níquel para o menor nível em cinco anos, causada pelo aumento da oferta e pela baixa demanda.
“Ainda temos 20 anos de níquel lucrativo pela frente”, disse Shastri Ramnath, presidente da Exiro Minerals. Ramnath, que foi nomeado também presidente da recém-criada Exiro Nickel, acrescentou que a nova empresa precisa ser capaz de produzir níquel quando os preços estiverem baixos e permanecer competitiva.
A Vale é uma das maiores produtoras mundiais de níquel, que é usado na produção de veículos elétricos e outros bens. A empresa tem como meta uma produção de níquel de 175 mil a 200 mil toneladas em 2026.
“Esses US$200 milhões não estão em nosso bolso; o dinheiro está sendo investido para garantir a competitividade dessa operação no futuro”, disse Shaun Usmar, presidente-executivo da Vale Base Metals.
Ele acrescentou que a empresa está apoiando seus novos proprietários para que eles não sejam sobrecarregados com responsabilidades herdadas.
O governo canadense considera oficialmente o níquel um mineral crítico.
Os países do G7, incluindo o Canadá, estão correndo para garantir minerais críticos, como cobre e níquel, em um esforço para quebrar o domínio de países como China e Indonésia na produção desses metais.
Dificuldade
Em novembro passado, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse à Reuters que havia dificuldade de enxergar a mina de Thompson caminhando para um nível de custo desejado pela companhia, e que a empresa estava estudando se haveria um “melhor dono” para ela.
Uma fonte a par das negociações afirmou à Reuters que, com o negócio, será “uma operação deficitária a menos” para a companhia.
Em relatório a clientes, analistas do Santander avaliaram o anúncio como positivo, uma vez que está alinhado com a estratégia de otimização de portfólio da Vale e reduz a intensidade de capital e a exposição operacional, ao mesmo tempo em que mantém o fornecimento estratégico por meio do “offtake”.
“Ao trazer parceiros e assumir uma posição minoritária, a Vale reduz compromissos de capital futuros e o risco operacional em Thompson, mantendo ainda a diversificação por meio de sua participação de 18,9%”, disseram os analistas.
Em 2025, Thompson produziu 12 mil toneladas de níquel (+21,2% em relação ao ano anterior) e 1,5 mil toneladas de cobre (-79,2% em relação ao ano anterior), segundo dados do Santander.
O cinturão de níquel de Thompson é um depósito com operações desde 1956. Os ativos incluem duas minas subterrâneas em operação, uma usina e oportunidades de exploração.
A conclusão da transação é esperada até o final de 2026, sujeita às aprovações regulatórias e governamentais usuais.
Conteúdo distribuído por Reuters
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