Anel Rodoviário: de problema histórico a oportunidade para BH

Corredor enfrenta desafios devido ao crescimento urbano e ao tráfego de cargas na capital mineira
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Anel Rodoviário: de problema histórico a oportunidade para BH
Foto: Diário do Comércio / Arquivo / Alessandro Carvalho

O Anel Rodoviário de Belo Horizonte foi concebido para retirar o tráfego de cargas do centro da cidade. Com o crescimento urbano, porém, a via passou a exercer funções diferentes daquelas para as quais foi planejada. Hoje, convivem no mesmo espaço caminhões de longa distância, veículos urbanos, transporte coletivo, motociclistas e pedestres. Essa sobreposição de funções ajuda a explicar parte dos problemas de segurança e fluidez.

Na minha avaliação, o grande desafio é redefinir o papel do Anel dentro da estrutura metropolitana. A implantação de um Rodoanel pode ser uma oportunidade para retirar o tráfego de passagem, especialmente o de cargas, e permitir que o Anel atual assuma uma função mais urbana e metropolitana.

Não se trata apenas de retirar caminhões de uma via, mas de repensar a infraestrutura a partir das necessidades de quem vive e circula pela cidade. Com menos tráfego pesado, poderíamos discutir uma requalificação que priorize o transporte coletivo, melhore as conexões entre bairros, amplie a segurança para pedestres e ciclistas e corrija problemas em acessos, curvas e interseções.

Essa discussão ganha importância diante da transformação pela qual o Anel passa atualmente. A Prefeitura de Belo Horizonte assumiu a gestão da via e vem conduzindo intervenções voltadas à infraestrutura, segurança e operação. A Câmara Municipal também aprovou, em setembro, autorização para um financiamento de até R$ 1 bilhão destinado a obras e intervenções no Anel.
Mas obras físicas, sozinhas, não resolvem todos os problemas. Precisamos incorporar tecnologia à gestão da via. Sistemas de videomonitoramento, radares, sensores e ferramentas capazes de identificar situações de risco podem melhorar a capacidade de resposta e prevenir acidentes.

Também precisamos entender que o Anel não é um problema exclusivamente de Belo Horizonte. Ele conecta a capital a diversos municípios da Região Metropolitana e interfere diretamente nos deslocamentos de pessoas e cargas. Por isso, qualquer solução precisa considerar a escala metropolitana.

Experiências de cidades como Curitiba, Bogotá e Singapura mostram, cada uma à sua maneira, que mobilidade precisa estar integrada ao planejamento urbano. Não basta construir mais pistas. É necessário pensar onde as pessoas moram, trabalham, como se deslocam e quais alternativas de transporte estão disponíveis.

Vejo, portanto, o momento atual como uma oportunidade. O Anel Rodoviário pode deixar de ser apenas uma infraestrutura associada a congestionamentos e acidentes e assumir uma nova função dentro da metrópole.

Para isso, precisamos de planejamento de longo prazo, integração entre os diferentes níveis de governo e uma visão que ultrapasse os limites municipais. O desafio não é apenas melhorar o trânsito no Anel, mas transformar sua relação com a cidade.
Se conseguirmos combinar a implantação do Rodoanel, a requalificação do Anel existente, tecnologia e planejamento urbano, poderemos transformar uma infraestrutura que hoje divide e sobrecarrega determinados territórios em um eixo capaz de conectar melhor Belo Horizonte e a região metropolitana.

Essa é a oportunidade que temos diante de nós: deixar de tratar o Anel Rodoviário apenas como um problema viário e começar a enxergá-lo como parte de um projeto maior de mobilidade e desenvolvimento urbano.

André Prado
Sobre o autor

André Prado

Professor e coordenador dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil do Ibmec-BH


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