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Futebol e frutas… frescas

Um relato sobre o racismo no futebol espanhol
Futebol e frutas… frescas
Crédito: Freepik

O jogo estava acirrado. Estádio lotado. Ambas as equipes, Barcelona e Villareal, disputavam com categoria e garra em busca da vitória que lhes daria pontuação significativa na tabela do Campeonato Espanhol.

Nas arquibancadas os torcedores gritavam palavras de ordem para incentivá-los, ora vaiando, ora aplaudindo calorosamente. Alguns, não poucos, provocavam determinados atletas com “palavras e frases fortes específicas” (que eufemismo!), outras racistas. “Macaco, macaco”, era uma delas.

No córner, com a atenção concentrada no seu ofício, o jogador se preparava para cruzar a bola quando lhe jogaram uma banana. Todos esperavam pela reação indignada. Calmamente ele se abaixou, a descascou, comeu com avidez, jogou a casca em um canto, e fez o que o dever lhe impunha: bateu o escanteio em direção à grande área do adversário.

Sem mimimi, sem vitimismo, sem apelos estridentes ao juiz da partida, sem dirigir impropérios à torcida, sem importar-se com o clima de guerra. Não ignorou o episódio; simplesmente o desprezou.

Confesso que torci, ardorosamente, para que o atleta assinalasse um gol olímpico naquele momento.
Pensando bem, ele marcou.

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