A imposição do fim da escala 6×1
O debate sobre o fim da escala 6×1 tem sido conduzido com uma preocupante desconexão da realidade econômica brasileira. Embora apresentado como um avanço social, o tema vem sendo tratado, em muitos casos, sem a devida consideração aos impactos diretos e indiretos sobre o setor produtivo justamente aquele que sustenta empregos, renda e arrecadação no País.
É preciso ser claro: a imposição do fim da escala 6×1, sem diálogo estruturado e sem transição responsável, representa um aumento imediato e significativo de custos para as empresas. O que vai gerar inflação para a sociedade. Em setores como comércio, serviços, indústria e logística, que dependem de operação contínua, essa mudança não é trivial. Ela exigiria mais contratações, reorganização completa de jornadas e elevação da folha de pagamento, em um cenário já marcado por alta carga tributária e baixa margem operacional.
Ignorar esse contexto é ignorar a base da economia real. Os mais afetados serão, como quase sempre, os pequenos e médios empresários. São eles que respondem pela maior parte dos empregos formais no Brasil e que não dispõem de estrutura financeira para absorver mudanças bruscas. O resultado previsível é preocupante: redução de vagas, aumento da informalidade, repasse de custos ao consumidor e, em casos mais extremos, o fechamento de empresas.
Não se trata de resistência a avanços sociais. Trata-se de responsabilidade econômica. Defender melhores condições de trabalho é legítimo. Precisamos aumentar a produtividade que hoje estamos na 94ª posição no ranking de 184 países. No entanto, não se pode construir essa agenda penalizando quem empreende e gera empregos. Experiências internacionais frequentemente citadas nesse debate ocorreram em contextos econômicos completamente distintos do brasileiro, com maior produtividade, menor custo regulatório e ambientes de negócios mais estáveis. Importar essas soluções sem adaptação é um erro técnico e estratégico.
O Brasil precisa, sim, evoluir. Mas evolução não se faz com medidas que fragilizam a atividade econômica. É indispensável garantir segurança jurídica, previsibilidade e, sobretudo, diálogo. O caminho mais sensato passa pela negociação coletiva, pela flexibilidade e pela construção de soluções que respeitem as diferenças entre setores e regiões. O setor produtivo não pode ser tratado como coadjuvante nesse processo. Sem empresas fortes, não há empregos. Sem empregos, não há desenvolvimento social. Ignorar essa equação é um risco que o Brasil não pode correr.
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