Sinal vermelho nas estradas: frota envelhecida e falta de caminhoneiros
Mesmo com alguns investimentos do governo federal em infraestrutura logística, sinais de alerta estão piscando sobre o setor de transportes, principalmente no modal rodoviário. O primeiro alerta refere-se à idade avançada da frota de caminhões no Brasil. Esse fato é facilmente perceptível ao observar as rodovias país afora, onde é comum a presença de caminhões antigos, emitindo fumaça preta, misturados a poucos veículos mais novos.
Com o custo logístico mais elevado entre as maiores economias do mundo, o Brasil enfrenta um encarecimento em cascata que afeta desde o frete até a prateleira dos supermercados. Dados do Instituto Ilos revelam que a logística consome 15,5% do PIB nacional; desse montante, mais da metade (8,55%) é absorvida pelos transportes. Diante desse peso financeiro, a renovação da frota de caminhões torna-se uma solução estratégica e inadiável.
A frota brasileira de caminhões possui, em média, 15 anos de uso, sendo que, entre os motoristas autônomos, o tempo médio supera 22 anos, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). Veículos mais antigos demandam manutenções mais frequentes e complexas, elevando o tempo de inatividade. Além disso, devido à defasagem tecnológica dos motores, o consumo de combustível tende a ser maior, resultando em maior custo por quilômetro rodado e aumento na emissão de poluentes. Soma-se a isso o fato de que a defasagem tecnológica, especialmente nos sistemas de frenagem e estabilidade, elevam o risco de acidentes, colocando em perigo motoristas e usuários das rodovias.
Algumas iniciativas de renovação da frota começam a surgir no horizonte, como o programa “Move Brasil”, lançado recentemente pelo governo federal. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o BNDES disponibilizou R$ 10 bilhões em crédito subsidiado, sendo que desse total, R$ 1 bilhão são reservados exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados, que representam a frota mais antiga em circulação.
O segundo sinal de alerta no setor de transportes está relacionado ao chamado “apagão de caminhoneiros”. Somado ao envelhecimento da frota, o aumento da idade média dos motoristas profissionais, que atualmente está entre 46 e 50 anos, sinaliza um risco iminente de colapso logístico. Segundo dados da ANTT e da União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), o desinteresse pela profissão é impulsionado por baixos salários, jornadas exaustivas e insegurança. O impacto estatístico é severo: enquanto o país operava com uma base de cerca de 3,5 milhões de condutores profissionais em 2014, o volume de motoristas ativos registrados encolheu para aproximadamente 1,3 milhão em dez anos, uma redução drástica que desafia a capacidade produtiva nacional.
A combinação entre a aposentadoria gradual dos motoristas e a baixa atratividade da profissão pressiona os salários e, consequentemente, eleva os custos do frete. Considerando que cerca de 60% das cargas no Brasil dependem do modal rodoviário, a escassez de profissionais pode comprometer o abastecimento nacional.
Evidentemente, existem outros sinais de alerta, como os gargalos logísticos nas rodovias que atendem grandes centros urbanos e os principais portos do país, os quais também demandam atenção. Todos esses pontos refletem decisões estratégicas do passado, quando o modal rodoviário foi priorizado em detrimento de alternativas como o ferroviário. Nesse contexto, o investimento consistente em infraestrutura logística e na efetiva multimodalidade, que se torna essencial para que o Brasil consiga superar o impasse no qual se encontra.
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