Soberania na IA: quem vai definir as regras?

Com o avanço cada vez maior, parâmetros e limites da tecnologia precisam ser estabelecidos
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Soberania na IA: quem vai definir as regras?
Créditos: Adobe Stock

“Independência ou morte!”

A frase que marca nossa Independência carrega uma ideia: decidir o próprio destino. Hoje, parte desse destino passa por programas de computador. Se a IA vai fazer cada vez mais coisas por nós, quem vai definir como ela funciona?

A questão não está só em quem cria a IA. Está também em quem transforma essa tecnologia em serviços, negócios e regras do dia a dia. É aí que a conversa sobre soberania chega ao trabalho, ao banco e à vida de cada um.

O próximo governo terá quatro anos. O ChatGPT chegou ao público em novembro de 2022, há menos de quatro anos. Agora, imagine o que pode mudar até a próxima eleição.

Hoje, a conversa já vai além dos robôs que respondem perguntas. Os agentes de IA são programas que usam ferramentas para agir em nosso nome. Nos Estados Unidos, governo e empresas já trabalham em formas de fazê-los funcionar entre diferentes serviços.

Que experiência o Brasil poderia trazer a esse debate? É aqui que entra a ideia de um “Pix para a IA”.

O Pix permite transferir dinheiro entre bancos sem exigir que todos usem o mesmo aplicativo. O Banco Central organiza a base e as regras comuns. Cada empresa oferece seu serviço.

Na IA, essa base serviria para que bancos, empresas e órgãos públicos reconhecessem os agentes escolhidos por seus usuários. Não seria um assistente único, feito pelo governo, mas sim um caminho para vários assistentes.

Um “CPF” diria quem é o agente. Uma procuração diria por quem ele age e até onde pode ir. O paralelo com o Pix seria fazer esse reconhecimento valer entre os serviços.

No trabalho com contadores, vejo o tamanho da demanda. Imagine um agente que reúna as notas do mês e, após a revisão do contador e o aval do cliente, envie a declaração de impostos. A proposta é dar a esse trabalho um caminho reconhecido, sem que o programa precise fingir ser o usuário.

Nessa proposta, o próximo governo reuniria órgãos públicos e empresas para iniciar alguns serviços de grande utilidade. O poder público cuidaria dos acordos para a aceitação de agentes. As empresas criariam os produtos. A segurança e os limites de ação fariam parte desses acordos.

Com esse ponto de partida, uma equipe brasileira poderia levar seu assistente a vários serviços, reduzindo o trabalho repetitivo. Empresas de fora também teriam onde testar e vender seus produtos. O usuário poderia trocar de agente sem perder acesso aos serviços.

O objetivo não seria apenas atrair testes. Seria criar um mercado de serviços que resolvam problemas reais, com espaço para empresas daqui e de fora. Para o pequeno empresário, isso poderia significar menos tempo gasto com papelada. Para quem desenvolve programas, novos clientes e negócios.

Desse uso poderiam surgir equipes e soluções que outros países quisessem conhecer. O Brasil teria o que levar à conversa sobre como os agentes devem funcionar: não só ideias, mas também experiência. Ser referência, nesse caso, seria ajudar a mostrar como a IA pode trabalhar na vida real.

O tempo importa porque esse aprendizado não vem pronto num contrato de compra. Ele se forma ao criar, usar e corrigir serviços. Quatro anos podem ser o período em que o Brasil acumula essa experiência, enquanto o modo de usar agentes ainda está sendo construído.

A eleição escolhe um governo, não o ritmo da IA. Ao fim do próximo mandato, que voz o Brasil terá nas regras que orientarão o uso dessa tecnologia?

John Park
Sobre o autor

John Park

Especialista em inteligência artificial (IA) e engenheiro de software da equipe fundadora da AGI Inc


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