Sem fronteiras: a força cultural do café brasileiro no cotidiano ibérico
Andar pelas ruas de Madrid e Barcelona enquanto o aroma do café invade as ruas é indescritível. A Espanha é um país apaixonado por essa bebida e o aumento de cafeterias com Cafés Especiais mostra muito mais do que números. De acordo com a Asociación Española del Café (AECafé), nos últimos anos, o consumo médio girou em torno de 4,2 kg por habitante/ano, revelando a força cultural dessa bebida no cotidiano ibérico. O consumo total chega a ultrapassar 67 milhões de xícaras por dia no país.
Para sustentar essa demanda, o país depende majoritariamente da importação de café verde de várias partes do globo, e é nesse ponto que o Brasil assume relevância. O país está entre os principais fornecedores de cafés não torrados para o mercado espanhol, ao lado de origens como Vietnã e Colômbia. Por aqui também encontramos cafés etíopes deliciosos.
Dentro da União Europeia, a Espanha ocupa posição estratégica como importadora e re-distribuidora da iguaria, com volumes destinados a países como Alemanha, Portugal e Bélgica. Isso significa que grandes volumes de grãos verdes chegam pelos seus portos — como os de Barcelona, Valência e Bilbao — vindos de países produtores como a nossa pátria amada.
No campo institucional, a relação é fortalecida por cooperativas, que atuam na promoção internacional do café brasileiro e aproximam exportadores de importadores europeus. Feiras internacionais e rodadas de negócios ampliam essa conexão, impulsionando parcerias voltadas a cafés com rastreabilidade, certificações ambientais e perfis sensoriais diferenciados, tudo o que a gente valoriza, e muito, por aqui.
Além do café, a Espanha é reconhecida mundialmente por sua cultura gastronômica vibrante. As ruas e mercados estão sempre repletos de produtos frescos e de sabores intensos. Tapas, pequenas porções servidas em bares, permitem experimentar uma variedade de sabores em uma única refeição, desde jamón ibérico até frutos do mar e queijos regionais. O hábito de compartilhar reflete a sociabilidade e a importância da convivência nas refeições espanholas.
Os vinhos também ocupam um lugar central na cultura local. O consumo de vinho na Espanha não é apenas gastronômico, mas também parte da identidade, com harmonizações cuidadosas e festivais que promovem a produção local.
As sobremesas e doces tradicionais, como churros com chocolate e tartas, completam a experiência culinária espanhola. Cada região tem suas especialidades: a Catalunha, por exemplo, é conhecida pela crema catalana, enquanto a Andaluzia traz os sabores das amêndoas e do azeite de oliva em doces típicos! Mal podemos esperar para um dia experimentar essas delícias. Essa diversidade gastronômica demonstra o cuidado com ingredientes e a preservação de tradições que atravessam gerações.
No conjunto, o café se insere nesse rico panorama de cultura alimentar, reforçando a conexão entre hábitos de consumo e tradição. A presença do café brasileiro nos mercados espanhóis complementa uma experiência que vai muito além do simples ato de beber: é um encontro de histórias, sabores e um testemunho de como a gastronomia une pessoas e países em torno de paixões compartilhadas. A clientela espanhola demonstra cada dia mais interesse crescente por origem, processo e terroir. Regiões brasileiras como Sul de Minas, Cerrado e Espírito Santo passam a aparecer com mais frequência em cardápios e embalagens, traduzindo diversidade sensorial em cada xícara.
Quando um espresso é servido na Espanha, há ali uma cadeia que começa a milhares de quilômetros, em solos ricos do chamado “cinturião do café”, e claro, também com muitos cafés, como vimos acima, produzidos com afeto e força em solos brasileiros. Que o Brasil siga crescente como protagonista global de exportação cafeeira, e que por aqui, na Espanha, a presença do nosso café seja cada vez mais evidente. Quer saber mais? Acompanhe a coluna Café sem Filtro quinzenalmente aqui no Diário do Comércio e no instagram @oitenta.cafe.hub.
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