Guerra no Oriente Médio e as mudanças climáticas
Toda guerra é ruim, pois não há benefícios que uma guerra possa trazer que compense a perda de tantas vidas humanas. Por isso, o intuito deste artigo é, a partir do reconhecimento do fato de que a guerra no Oriente Médio está acontecendo, diminuir a superficialidade do automatismo e fazer uma análise um pouco mais profunda de possíveis impactos positivos para a questão ambiental e a principal causa desses efeitos positivos é possivelmente a guerra acontecer no Oriente Médio, berço da maioria do petróleo do mundo.
A minha visão é que a expansão do conflito pode acabar acelerando as ações climáticas.
O que te leva a pensar isso? – você provavelmente está se perguntando. Um olhar histórico.
Historicamente, quando choques geopolíticos aconteceram nessa região, as bases que sustentam o sistema fóssil (a segurança de abastecimento, a previsibilidade de preços e a confiança estratégica) foram diretamente abaladas. Quando esses pilares entram em crise, governos e mercados passam a buscar alternativas mais estáveis e menos vulneráveis.
Não foi exatamente a Crise do Petróleo na década de 70 a precursora do sucesso brasileiro em biocombustíveis? Não foi nesse momento histórico que a energia nuclear se espalhou como alternativa pelo mundo e que os investimentos se multiplicaram em programas de combustíveis renováveis em larga escala? A lógica permanece a mesma.
Com essa guerra, a transição energética deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a ser uma necessidade econômica, política e de segurança nacional. Mais do que isso, a guerra está deixando claro como a dependência de combustíveis fósseis é perigosa. O investimento chinês em eletrificação veicular e a consequente redução da dependência do petróleo provavelmente servirão de benchmarking para outros países também buscarem reduzir sua dependência do petróleo.
A volatilidade de preços dos combustíveis tende a tornar os investimentos em energia solar, eólica, hidrogênio verde e armazenamento mais atraentes, já que os retornos seriam mais previsíveis e seguros. Além disso, é possível que empresas intensivas em energia (normalmente também as mais poluentes) busquem reduzir riscos operacionais e financeiros, migrando para fontes renováveis que garantem maior estabilidade.
Quanto mais a guerra no Oriente Médio se estender, mais a política será afetada. Os governos tenderão a intensificar as políticas de transição e a narrativa em torno da autonomia energética ganhará força. Isso provavelmente fará os países produzirem energia localmente para não ficarem dependentes, e isso converge para as fontes renováveis, que são naturalmente descentralizadas, abundantes e distribuídas.
Por tudo isso, minha visão é de que a guerra no Oriente Médio pode criar um alinhamento raro entre interesses econômicos, políticos, sociais e ambientais, acelerando investimentos e decisões que, em tempos de estabilidade, avançariam de forma muito mais lenta.
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