ESG sem pessoas não se sustenta: o impacto silencioso do etarismo
Falar de sustentabilidade no mundo corporativo deixou de ser apenas uma discussão sobre meio ambiente ou estruturas de governança. Cada vez mais, o debate em torno do ESG evidencia que o verdadeiro desafio está na dimensão humana das organizações. É nesse espaço que surgem, de forma silenciosa, práticas que contradizem discursos institucionais e fragilizam a coerência entre valores declarados e decisões cotidianas.
Entre essas práticas, o etarismo ocupa posição central, embora ainda receba pouca atenção no debate público e empresarial.
Vivemos um tempo marcado por contradições. Ao mesmo tempo em que a população envelhece e a expectativa de vida aumenta, o mercado de trabalho insiste em associar juventude a valor, inovação e futuro, enquanto a idade passa a ser interpretada como limite ou risco.
Esse olhar reduzido ignora que a experiência profissional não se perde com o tempo, mas se transforma, amadurece e aprofunda a capacidade de leitura de contextos complexos.
O etarismo raramente se manifesta de forma explícita. Ele aparece em critérios de seleção, planos de carreira encurtados, ausência de investimentos em desenvolvimento e desligamentos recorrentes em processos de reestruturação. Aos poucos, constrói-se um ambiente de insegurança que atravessa gerações e compromete a confiança organizacional.
Sob a perspectiva do ESG, essa realidade precisa ser enfrentada com responsabilidade. A dimensão social da sustentabilidade pressupõe inclusão, equidade e respeito às pessoas ao longo de toda a trajetória profissional. Não é coerente defender práticas sustentáveis enquanto se naturaliza o descarte de profissionais com base na idade.
A experiência representa um ativo estratégico frequentemente subestimado. Ela contribui para decisões mais equilibradas, gestão de riscos e preservação da memória institucional. Ignorá-la pode até parecer eficiência no curto prazo, mas revela fragilidade nos médio e longo prazos.
Valorizar a diversidade etária fortalece o clima organizacional, o engajamento e a inovação. Combater o etarismo, portanto, não é apenas uma escolha ética, mas uma exigência estratégica para a credibilidade, a competitividade e a sustentabilidade real das organizações.
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