Capitalismo Consciente

Segurança do paciente: a minha, a sua, a nossa

Entenda o papel da segurança do paciente em hospitais e como informações claras podem evitar riscos e promover melhores cuidados
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Setembro é definido como o mês mundial de conscientização da segurança do paciente. Mas esse assunto não pertence apenas aos hospitais e profissionais da saúde. Ele diz respeito a todos nós, porque a qualquer momento, podemos nos tornar pacientes ou acompanhar alguém querido, que precise de cuidados em saúde.

Em consulta, internação ou cirurgia, devemos esperar mais do que competência técnica. Devemos esperar que sejamos identificados corretamente, receber informações claras e ter nossas dúvidas ouvidas e esclarecidas. Encontrar profissionais atentos, processos corretos e uma instituição preparada para evitar riscos preveníveis.

Segurança do paciente começa quando a organização entende que cada detalhe faz a diferença. Uma informação transmitida de modo incompleto, um medicamento não checado ou uma orientação mal compreendida podem gerar consequências. Por isso, instituições seguras não dependem só da atenção individual de seus profissionais. Elas criam rotinas, barreiras e mecanismos que reduzem a chance de falhas. Criam ambientes em que os profissionais relatam riscos sem medo de punições injustas. Quando uma equipe pode falar sobre problemas, a organização tem chances de corrigi-los antes que causem danos.

Essa é uma das ideias centrais defendidas pelas maiores instituições mundiais que tratam deste tema, definindo melhores práticas na assistência em saúde. Segurança depende da relação entre pessoas, equipamentos, processos, comunicação e ambiente de trabalho. Na prática, isso significa que a responsabilidade não pode ser colocada apenas sobre quem está na ponta. Líderes e organizações precisam garantir condições adequadas para que o cuidado seja realizado com segurança. Isso inclui equipes estrategicamente dimensionadas, treinamento, protocolos aplicáveis, comunicação eficiente e acompanhamento de indicadores. Inclui também escutar pacientes e acompanhantes, que muitas vezes percebem mudanças ou riscos antes de qualquer outra pessoa. Uma pergunta feita por um familiar pode revelar uma dúvida importante ou evitar um equívoco.

Humanizar o cuidado, portanto, não é apenas atender com gentileza. É reconhecer que existe uma pessoa por trás de cada prontuário, procedimento ou diagnóstico. Ouvir, explicar e confirmar se houve entendimento são atitudes de acolhimento e também de segurança. A Lei nº 15.378/2026, que instituiu o Estatuto dos Direitos do Paciente, reforça essa mudança. A norma reconhece direitos relacionados à autonomia, à informação, ao consentimento e à participação no cuidado. Fortalece o papel do acompanhante, que pode fazer perguntas e colaborar para que medidas de segurança sejam observadas.

Isso não transfere a responsabilidade técnica para o paciente ou para a família. Ao contrário, reforça o dever das instituições de oferecer informação, respeito, privacidade e condições seguras de atendimento. Segurança não é uma ação isolada, mas um compromisso de toda a organização. Resultados sustentáveis dependem de valor para todas as partes envolvidas. Uma assistência segura protege pacientes, apoia profissionais, reduz desperdícios e fortalece a confiança na instituição. Por isso, a segurança do paciente deve estar nas decisões dos conselhos, da direção e de cada liderança. Deve ser consciente.

O leitor que amanhã usar um hospital precisa saber que pode, e deve, perguntar, entender e participar do próprio cuidado. E precisa confiar que a instituição assumirá seu papel antes, durante e depois do atendimento. Uma organização segura não promete que nunca haverá falhas; ela aprende, melhora e protege pessoas, e suas vidas.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Luciana Rodrigues
Sobre o autor

Luciana Rodrigues

Fundadora da Sëva Desenvolvimento Profissional, consultora e avaliadora de qualidade e segurança em saúde – acreditada ONA, mentora profissional de carreira, conselheira e especialista em governança. Executiva por 26 anos, com expertise em Saúde. A.Gente do Capitalismo Consciente. Rede pessoal e profissional: LinkedIn: www.linkedin.com/in/lucianarodriguesseva Instagram: @lucianarodrigues.seva


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