Seu banco é realmente sólido?
Na quarta-feira (18), o Banco Pleno teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, somando-se a outros episódios recentes de fragilidade no sistema bancário. O caso reforça a importância de investidores e correntistas priorizarem uma análise criteriosa na escolha das instituições com as quais se relacionam. Quando um banco entra em colapso, muitos clientes acabam dependendo do prazo de ressarcimento do FGC e ainda arcam com o custo de oportunidade dos recursos imobilizados. Para evitar esse tipo de situação, é fundamental olhar “sob o capô” da instituição e compreender os pilares que sustentam sua saúde financeira.
A solvência é a base de tudo e tem como principal referência o Índice de Basileia. Pense nele como o “patrimônio de segurança” do banco: ele mostra quanto dinheiro próprio a instituição possui para cada real emprestado. No Brasil, o mínimo exigido é de 10,5%, mas um investidor prudente deve buscar bancos com índices entre 14% e 18%. Uma Basileia muito baixa indica que o banco está operando “no limite”, sem margem para erros ou calotes inesperados. Contudo, ter capital não basta se o que o banco faz com esse dinheiro for arriscado. É aqui que entra a qualidade dos ativos, especificamente da carteira de crédito. O investidor deve observar para quem o banco empresta: se o crédito é pulverizado entre bons pagadores ou se está concentrado em setores de alto risco. Uma carteira de crédito saudável é aquela que mantém baixos índices de inadimplência e provisões adequadas para perdas.
Tão importante quanto a qualidade do crédito é a forma como o banco se financia. Instituições sólidas contam com fontes de captação diversificadas e de menor custo. Quando um banco depende de CDBs com taxas muito elevadas para atrair recursos, sinaliza que paga caro para operar. Um funding eficiente sustenta margens financeiras saudáveis e resultados consistentes. Por isso, o investidor deve evitar bancos com prejuízos recorrentes e priorizar aqueles que mantêm intermediação financeira positiva, ganhando mais ao emprestar do que pagam para captar, e lucro líquido consistente ao longo do tempo.
Para que esses números sejam confiáveis, a governança é decisiva. Uma gestão transparente garante que os balanços reflitam a realidade e que os riscos estejam sob controle. Bancos com histórico de problemas regulatórios ou pouca clareza na divulgação de informações, como nos sinais que antecederam a queda do Banco Pleno, devem ser evitados. É a boa governança que limita a tomada de riscos excessivos e assegura liquidez para honrar compromissos, pois liquidez não é apenas ter recursos, mas tê-los disponíveis quando necessário.
O Fundo Garantidor de Créditos funciona como um cinto de segurança, mas ninguém entra em um carro esperando sofrer um acidente. A melhor estratégia, portanto, continua sendo escolher o motorista mais prudente e o veículo mais confiável.
Ouça a rádio de Minas