Finanças em Foco

A leveza também pode caber no orçamento

Uma vida financeira leve passa por conectar o dinheiro ao que realmente importa

“A leveza que o dinheiro me traz é a sensação de que, aos poucos, estou me permitindo
viver a vida que eu quero viver”
(Isabela, autônoma, 30 anos).

A fala de Isa expressa um desejo recorrente entre mulheres: o de sentir que o seu dinheiro
flui para onde o coração acredita, e sem culpa. Como planejadora financeira, encontro
frequentemente mulheres cujo orçamento está desconectado de seus projetos, sonhos e
até de uma rotina minimamente desejável.

Muito deste cenário está relacionado com a ausência de repertório financeiro e referências
femininas, uma vez que somos, em muitos casos, as primeiras mulheres da família a prover
e gerir nosso próprio dinheiro. Somado a isso, muitas mulheres pela correria acabam
direcionando seu dinheiro a pequenos prazeres alcançáveis em sua rotina. O resultado é
conhecido: faturas altas e o dinheiro vai se perdendo no meio do caminho, mesmo que você
ganhe bem.

Para falar de uma vida financeira leve é necessário, antes de mais nada, conectar o
dinheiro ao que realmente importa, e atentar para importantes pilares como: o ritmo de
trabalho que se quer ter, quais cuidados e hábitos saudáveis que sustentam o dia a dia, o
tempo que pode ser comprado para equilibrar tantos papéis – seja na marmita que poupa
tempo, na contratação de uma rede de apoio ou na compra de eletrodomésticos que aliviam
o cuidado com a casa. Afinal, a complexidade da vida feminina, marcada por múltiplas
atribuições que herdamos de um sistema que nos ensinou a “dar conta” para merecer,
pertencer e ocupar espaços, precisa conversar com nosso orçamento.

A partir dessa conexão é possível modelar, pouco a pouco, um orçamento que contempla a
vida que se deseja construir e, assim, pavimentar as realizações que se quer viver em dez
anos.

Neste contexto tão desafiador, partir do simples é fundamental. Richard Thaler, prêmio
Nobel e autor de Nudge, afirma que, para incentivar comportamentos desejáveis, é preciso
“fazer ser fácil”, simplificando ferramentas e arquitetando o ambiente. E, convenhamos: para
mulheres que acumulam maternidade, cuidado, trabalho e relações, parar tudo para
planilhar gastos é quase impossível.

Simplificar a vida financeira é, então, o caminho. Ancorar um valor semanal e mantê-lo em
uma conta separada ajuda quem não tem tempo de anotar tudo. Por exemplo, ao mapear
sua rotina, você identifica que R$ 600 por semana cobrem seus gastos de maneira
confortável: o delivery da correria, o café com uma amiga, o lanche do filho, as frutas e
verduras. A semanada é uma estratégia que traz liberdade para fluir dentro de um universo
já previsto no orçamento e que cabe na sua rotina.

Ao simplificar o cuidado com o dinheiro e aproximá-lo da vida real, as escolhas ficam mais
claras e a rotina ganha respiro. O orçamento deixa de ser um peso e passa a orientar com
gentileza. Quando vida e dinheiro começam a se encontrar nesse ritmo possível, a
sensação de leveza começa a aparecer, não de forma imediata, mas como um caminho que
se constrói aos poucos.

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