Das desgraças e oportunidades
A guerra é uma desgraça e não só mata pessoas como destrói cidades e o que sobra dos vivos e de suas vidas. As gerações do pós-guerra vivem com suas sequelas e a memória da violência que passaram. Mesmo os que não são envolvidos diretamente, como é o caso do Brasil, sentem os efeitos do conflito. Imagina então os que vivem abaixo de bombas, tiros, mísseis. É um horror.
Os conflitos armados geram benefícios enormes para alguns, como os fabricantes de armamentos e, no caso do conflito com o Irã e da Ucrânia, de todos os envolvidos com o petróleo. Os lucros, que são astronômicos, às vezes beneficiam até as partes beligerantes. Há também uma subida de preços de materiais primas, produtos intermediários e em especial alimentos. Conta a lenda que uma família mineira tradicional, que negociava anilina e outros produtos químicos para a indústria têxtil, fez durante a Segunda Guerra Mundial uma grande encomenda desses produtos na Alemanha. O navio chegou ao Rio de Janeiro e foi o último por todo o tempo da guerra e eles, por sorte ou competência, ficaram donos do mercado. Nos países em conflito sempre surgem indivíduos inescrupulosos, ou para alguns espertos, que se aproveitam das situações . Até para salvar as pessoas, ou às vezes enganando, cobram preços que levavam famílias à miséria, perdendo tudo o que tinham.
Mas também os países que não produzem armas, mas alimentos, se beneficiam. Caso mais notório foi o da Argentina na última guerra mundial, vendendo tanto para os aliados como para a Alemanha nazista carne e trigo. Até o ministro da agricultura do Hitler era argentino-alemão, para facilitar as operações. E a Argentina se tornou um um país riquíssimo. E continuou vendendo após a guerra a guarita para os criminosos de guerra com oportunidade de relocação e a segurança.
Os dois maiores conflitos do momento, Ucrânia e Irã, envolvendo principalmente a Rússia e os Estados Unidos, mexem no coração econômico do Brasil. Tivemos que nos alinhar com a Rússia para termos diesel e fertilizantes. E ainda não sabemos quanto vão ser afetadas nossas exportações para o Golfo. Sem repetir a questão dos preços do petróle, gás e seus derivados.
Quanto ao nosso preparo para resistir aos conflitos globais, mesmo com o imenso orgulho e alegria de termos produzido o primeiro avião de caça Gripen, o rei está nu. Estamos reagindo de forma tática, quando nos esperam desafios estratégicos. É no mínimo irresponsável dos governos e da PETROBRAS dizer que nos próximos cinco anos vamos ser autossuficientes em diesel. E o que fizeram no passado? Fertilizantes, gasolina, indústria química, sem falarmos do total despreparo do ponto de vista de defesa do nosso sistema militar.
Os conflitos armados, mesmo regionais, estão mais intensos e mais globais do que o esperado. Tem que discutir nesta campanha como os futuros líderes pretendem reagir e construir os diques de desenvolvimento para o país. De um lado proteger e de outro manter o ritmo do desenvolvimento. E os empresários têm que exigir que os políticos tenham essa agenda, mas para isso eles também têm que estar preparados.
Ouça a rádio de Minas