Do ouro que brilha e não brilha
Os tambores de carnaval tiveram este ano mais uma alegria: a medalha de ouro do Lucas Pinheiro Braathen nos Jogos olímpicos de inverno na Itália. Slalom gigante, disciplina rei entre os esportes de inverno. O fato de termos neve de vez enquanto só em São Joaquim, em Santa Catarina, de o menino ter nascido na Noruega, aquele país rico em petróleo, cheio de fiordes e dono do Prêmio Nobel da Paz e grande investidor em energia e minerais no Brasil, e da absoluta maioria de brasileiros nunca ter visto neve nem esqui, não muda nada. É um filho de brasileira que sabe cantar o hino e fala bem português, dança samba, foi rejeitado pelos noruegueses para a sua seleção olímpica e achou seu espaço com o Brasil e ganhou pelo Brasil. Primeira medalha de ouro nos jogos de inverno para a América Latina, incluindo países que, como o Chile e a Argentina, têm neve.
Desde 1980, o Brasil incorporou seus 5 milhões de brasileiros que vivem no exterior, sua diáspora, como parte da nação brasileira. Esses brasileiros, hoje já várias gerações, vivem no EUA, dois milhões, depois vêm os países europeus e vizinhos sul americanos. Brasiguaios no Paraguai, decasséguis no Japão. Todo ano eles mandam para os cofres brasileiros mais de 5 bilhões de dólares. E fodo ano saem do Brasil mais de 300 mil, hoje em dia com famílias e educados. Não só no Canadá você encontra esses brasileiros, mas na Nova Zelândia e Austrália. Parece que não têm medo nem da distância e nem das dificuldades para se adaptar.
Assim, enquanto estamos vivendo no Brasil um envelhecimento da população e baixo crescimento populacional, estamos com a perspectiva de que em 2030 viverão no exterior quase 8 milhões de brasileiros ou seja 4 % de população brasileira. O sangramento do Brasil com a saída dos jovens com suas famílias, altamente qualificados, afeta profundamente o nosso desenvolvimento. As razões da emigração hoje são desde segurança, perspectiva e desenvolvimento profissional e last but not least perda de esperança de que o Brasil ofereça para seus filhos um perspectiva melhor. Se a isso somarmos a saída de poupança privada, depósitos de brasileiros nos bancos estrangeiros, que somam mais de 500 bilhões de dólares, temos uma equação preocupante a ver no nosso futuro.
O sistema oficial brasileiro de apoio aos brasileiros no exterior é um tanto quanto eficaz através do Itamaraty e o Instituto Guimarães Rosa, encarregado do ensino da língua e cultura. Tem Conselhos de cidadãos. E tem muitos brasileiros que galgaram posições nas sociedades não só como executivos, esportistas, artistas e empresários, como também acadêmicos. Brasileiro no exterior é respeitado como trabalhador, com sua ginga e alegria.
Eles não voltam, cada vez saem mais, e como fica o Brasil? Orgulhoso dos seus filhos, mas empobrecido aqui.
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