Belo Horizonte na rota da internacionalização

30 de novembro de 2023 às 0h18

Neste artigo vou compartilhar algumas reflexões acerca dos desafios e avanços do processo de internacionalização da economia da capital mineira.

Eu fui convidada pela equipe do Departamento de Relações Internacionais da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para falar no Fórum Qualifica BH, que acontece nesta quinta-feira (30), remotamente.
Ocupo, no País, cargos que me habilitam a possibilidades de análises diversas. Sou reitora de uma faculdade internacional, presidente da Câmara de Comércio Franco-Brasileira e Conselheira de Comércio Exterior da França no Brasil.

O tema dessa reunião é o apoio das prefeituras e, em particular, a de Belo Horizonte, no esforço de internacionalização das Pequenas e Médias empresas (PMEs), da região. Começo agradecendo a oportunidade de estar entre especialistas tão capacitados neste debate.

Considerando o papel da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), em fomentar a economia local potencializando as oportunidades para pequenas e médias empresas e microempreendedores individuais, pergunto: como e quais as melhores trajetórias e estratégias que a internacionalização desses negócios, através da atuação local, para gerar oportunidades para essas empresas?

Em um mundo Vuca (volátil, incerto, complexo e ambíguo), saber como diversificar seus riscos e abrir novos mercados é uma necessidade permanente para uma empresa, assim como o aprendizado contínuo, especialmente quando se trata de inovação.

Nas empresas menores, em particular, a chave do sucesso geralmente é o apoio das autoridades públicas, incluindo os conselhos locais. Elas retribuirão mais do que receberão. É por esses bons motivos que estou convencida de que os municípios fazem parte da dinâmica da internacionalização por meio do apoio às PMEs.

Na minha opinião, há várias dimensões e áreas de ação a serem consideradas. Minha primeira linha de ação se concentra na inteligência de mercado, na compreensão das questões geopolíticas e na capacidade de projetar nossos próprios pontos fortes, antes de passar para a educação sobre o gerenciamento de empresas internacionalmente.

Por outro lado, acredito que as autoridades públicas, seja qual for seu nível de responsabilidade, têm um papel a desempenhar na atratividade internacional de seu território, mas também na internacionalização das empresas em seu próprio território. Começando pelas pequenas e médias empresas em seu tecido econômico, fontes de empregos e criação de riqueza.

É tarefa dos governos criar um ecossistema para tornar seu território internacionalmente atraente, já as pequenas e médias empresas também deveriam zelar por essa meta visando à geração de empregos e riquezas.

E por que é do interesse de governo que as PMEs se internacionalizem? Em primeiro lugar, identificar oportunidades potenciais de acordo com a riqueza e o know-how das empresas locais para organizar viagens de prospecção depois de analisar e fazer contato com representantes do país identificado como detentor deum mercado correspondente ao alvo ou como tendo um sistema de produção.

Em segundo lugar, a criação de redes internacionais e oportunidades de treinamento. Antes de partir para uma expedição, as empresas devem estar preparadas para entender como a gestão de seus negócios internacionais está mudando.

Já um terceiro ponto importante é o fomento a uma cultura local de abertura internacional por meio da promoção de empresas bem-sucedidas nesse campo e também por meio do acolhimento de empresas internacionais que se estabeleceram no município ou na região.

A internacionalização é um processo de fortalecimento de reputação das empresas e é muito importante na abertura de oportunidades para o compartilhamento de experiências, em que todos possam falar sobre suas dificuldades e como elas foram superadas. Além desse compartilhamento de experiências, o trabalho em rede com as câmaras de comércio internacionais e outros segmentos setorizados.

Por fim, fomentar a internacionalização das empresas sediadas em sua área implica em viabilizar uma marca internacional para sua cidade ou região, promovendo sua capacidade de receber empresas internacionais e, ao mesmo tempo, destacando suas empresas locais como parte de um esforço de negócios em âmbito global.

Vejo isso claramente na gestão da faculdade SKEMA, sediada em BH há quase sete anos. Como uma empresa internacional, abrimos mercados ao receber mais de 6 mil alunos internacionais de todas as nacionalidades em nosso campus. A mobilidade acadêmica dos alunos do Brasil para um dos oito campi SKEMA reforça o multiculturalismo base da internacionalização.

Ainda escuto a pergunta “Por que a SKEMA escolheu Belo Horizonte? Minha resposta nunca mudou. Escolhemos Belo Horizonte para ter um negócio internacional pelo ecossistema educacional de alta qualidade que contribui para o dinamismo de nossos negócios, pelo hub de inovação, pela qualidade de vida e pelas excelentes condições de internacionalização, impulso necessário para criar um presente próspero que traga um futuro melhor para todos.

Acredito que a cidade está cumprindo bem sua missão e que tudo o que precisa fazer é continuar a crescer. Adoro trabalhar em BH, onde encontro pessoas altamente qualificadas e comprometidas. Esse é um bem precioso!

* Economista, presidente da Câmara de Comércio Internacional França Brasil/ Minas Gerais e reitora da Faculdade SKEMA Business School.

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