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A eleição de Márcio Borges para a Academia Mineira de Letras

Novo imortal é de uma família de artistas, sendo irmão de Lô, Marilton e Telo Borges

Eleito com 32 dos 34 votos para a Academia Mineira de Letras (AML), o escritor, poeta e compositor Márcio Borges sucederá ao Desembargador José Fernandes Filho, que nos deixou em outubro. Ele ocupará a cadeira 29, que também já foi de Milton Campos, Pedro Aleixo, Gustavo Capanema, Murilo Badaró e Afonso Arinos, filho. Com a consagração de Márcio, a AML comprova o quanto está atenta ao que de melhor se produz na cultura de Minas, certamente uma das mais apuradas do Brasil. A belíssima repercussão de sua vitória, celebrada em todo o país, evidencia o que digo.

Filho do saudoso Salomão Borges, que presidiu o Sindicato dos Jornalistas, é de família de artistas, sendo irmão de Lô, Marilton e Telo Borges. Um dos nomes fundamentais do Clube da Esquina – um dos mais importantes movimentos culturais da história de Minas – Márcio é o letrista de canções clássicas da música popular brasileira, como “Tudo o que você podia ser”, “Cruzada”, “Vento de maio”, “Um girassol da cor do seu cabelo” e “Clube da Esquina número 2”. Suas mais de 300 composições já foram gravadas por artistas da qualidade de Milton Nascimento, Elis Regina, Nana Caymi, Wayne Shorter, Larry Coryell, Jon Anderson e Sérgio Mendes.

Sobre o Clube, publicou, em 96, pela Geração Editorial, o ótimo “Os sonhos não envelhecem – histórias do Clube da Esquina”, hoje na 13ª edição. Também é de sua autoria a novela infanto-juvenil “Os sete falcões”, de 2000, e a tradução do livro de poemas de Paul Mc Cartney, “Blackbird Singing”, lançado em 98. Em 22, em parceria com a jornalista Cris Fuscaldo, lançou “De tudo se faz canção”, livro para celebrar os 50 anos da gravação do álbum “Clube da Esquina”, considerado por especialistas e críticos como um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos.

Se enveredou pelos caminhos da música e da literatura, o cinema também atraiu Márcio Borges, que integrou as fileiras do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais, o famoso CEC, tendo sido roteirista e cineasta amador. Seu curta-metragem “Joãozinho e Maria”, de 67, ganhou importante festival da época. Sua atividade como diretor de espetáculos também merece registro. Em 2000, dirigiu a ópera “Fogueira do divino”, de Tavinho Moura e Fernando Brant. Em 2012, dirigiu o musical “Semente”, de que participaram os grupos vocais “Boca Livre” e “Cobra coral” e a Orquestra Sinfônica do Palácio das Artes.

Prestes a completar 80 anos neste 31 de janeiro, Márcio Borges preserva a leveza e o frescor dos tempos de sua “linda juventude” em Belo Horizonte, cidade a que retorna com frequência, vindo de seu sítio em Mauá, no Rio de Janeiro, onde agora reside. Conversar com ele é um prazer. Ouvir as ricas histórias que tem para contar é certeza de ótimos momentos. Guardião de boas memórias, o artista, no entanto, não para, devendo lançar dois novos livros ainda neste ano. Ganham os leitores interessados em boa prosa. Ganha a Academia, que aprecia e promove sempre a literatura de qualidade.

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