A quase centenária UFMG
Egresso da graduação em Direito, em 1993, e do Mestrado em Direito Internacional, defendido em 2004, serei para sempre grato a uma das mais importantes universidades do Hemisfério Sul, prestes a completar seu primeiro século, no ano que vem. Um dos principais polos produtores e irradiadores de conhecimento da América Latina, a UFMG é conhecida, respeitada e admirada em todas as partes pela sua absoluta lealdade aos valores da Educação, da Ciência e da Cultura. E, ainda, pelo seu forte compromisso com os pilares que sustentam a sua presença na vida social: o ensino, a pesquisa e a extensão. Não é possível citar, neste espaço, o volume de benefícios que a universidade federal já gerou para o povo e o território de Minas Gerais.
Primando sempre pela excelência, em todos os seus processos, a UFMG pôde contar, ao longo do tempo, com reitores que souberam conduzi-la pelos melhores caminhos, assegurando o seu desenvolvimento e o seu sucesso. Menciono os que pertenceram à Academia Mineira de Letras: Aluízio Pimenta, Gerson Bozon e Orlando Magalhães de Carvalho, além do querido confrade José Henrique Santos, que nos honra, até hoje, com a sua notável companhia. Não é possível esquecer, no entanto, o trabalho memorável de nomes como Ana Lúcia Gazzola, Clélio Campolina e de Sandra Regina Goulart Almeida, que deixou o posto ontem, dia 19, depois de dois mandatos extremamente bem-sucedidos, ao longo dos quais atuou com enorme habilidade e incansável disposição para vencer terríveis obstáculos, como o da pandemia da Covid-19, por exemplo.
Tudo isso me vem fortemente à consciência ao assistir ao ótimo documentário “Esperança equilibrista” (TV UFMG, 90 minutos), exibido em pré-estreia no começo da semana. Ele recupera os tristes episódios de dezembro de 2017, quando o campus da Pampulha foi alvo de operação policial, no mesmo momento em que alguns dirigentes universitários eram conduzidos coercitivamente para depor em um inquérito, que, algum tempo depois, foi arquivado pelo Ministério Público Federal. O filme está disponível no site da universidade e nas plataformas digitais e merece a atenção geral, sobretudo agora, quando visivelmente se esboça, em distintas regiões do globo, ardilosa campanha contra as universidades e o pensamento crítico e reflexivo que elas sabem cultivar. O fascismo, ora em expansão pelo planeta, não tolera o iluminismo e a inteligência que ele é capaz de disseminar.
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