Na semana internacional da mulher
Não há como contar a história de Minas Gerais sem destacar a inspiração e a influência que certas mulheres exerceram sobre alguns de seus momentos decisivos. Da conjuração mineira fizeram parte nomes como Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Entre o quarto final do século XVIII e as duas primeiras décadas do século XIX, emergiu, com vigor, a personalidade carismática de dona Joaquina do Pompeu, senhora de poder, ação e larga descendência. De aspecto lendário, as trajetórias de Chica da Silva (Francisca da Silva de Oliveira), no Brasil colônia, e de Dona Beja (Ana Jacinta de São José), no período imperial, até hoje impressionam pela vitalidade e pela capacidade de atuar sobre o sistema estabelecido e seus tradicionais representantes.
No campo literário, não são poucas as que souberam deixar a sua marca. Ainda no século XIX, Beatriz Brandão fez história como poeta, tradutora, musicista e educadora. No século XX, impossível ignorar Maria Lacerda de Moura (líder feminista, professora e escritora) ou Alice Dayrell Caldeira Brant, que escreveu “Minha vida de menina” sob o pseudônimo de Helena Morley. Memorialista de primeira linha também foi Maria Helena Cardoso, autora do belíssimo “Por onde andou meu coração”. Poeta, educadora e tradutora, Henriqueta Lisboa foi a primeira mulher a eleger-se para a Academia Mineira de Letras, em 1963, quatorze anos antes que Rachel de Queiroz se elegesse para a ABL, em 1977. Depois dela vieram, entre outras, Maria José de Queiroz, Alaíde Lisboa, Carmen Schneider Guimarães e Lacyr Schettino.
Na contemporaneidade, é insuficiente o espaço desta coluna para mencionar as inúmeras mulheres mineiras com liderança e presença fortes o bastante para impactar os rumos da vida comunitária. Adélia Prado é figura incontornável, detentora de legado perene, assim como Ana Maria Gonçalves, autora do já clássico “Um defeito de cor”. Ângela Gutierrez ergueu três museus e zelou pela preservação do patrimônio mineiro. Berenice Menegale é sinônimo de excelência, correção e amor à arte.
Conceição Evaristo construiu obra potente, de ampla repercussão social, também responsável por abrir caminho para muitas meninas e mulheres que nela se espelham. Priscila Freire merece todas as homenagens pelo tanto que fez pela cultura. Entre as mais jovens, Ana Martins Marques, Ana Elisa Ribeiro, Adriane Garcia e Carla Madeira já despontam com destaque. Na militância política, notáveis são as contribuições de mulheres como Macaé Evaristo, Luiza Dulci e a excelente Lohanna França, destemidas e determinadas a fazer do mundo um lugar melhor. Um viva, pois, às mulheres de Minas. Não apenas em março, mas todos os dias.
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