Agir para não reagir
Não deve passar batido, não é razoável que mais uma vez ao fim e ao cabo fique o dito pelo não dito. Estamos falando dos mais recentes incidentes envolvendo a mineradora Vale, principalmente na região de Ouro Preto e Congonhas, e os riscos crescentes dessas operações, além do aceitável certamente, impondo cautela e reação. O bastante para que seja tomada como inevitável a decisão da Justiça mineira ao determinar imediata paralisação das atividades da Vale na região pelo menos até que esteja comprovada a estabilidade e segurança das estruturas em risco de colapso. A repetição das tragédias de Mariana e Brumadinho simplesmente não cabe em qualquer avaliação que ainda possa ser feita e independentemente da importância econômica das atividades ali desenvolvidas.
Muito provavelmente não será exagerado afirmar que minério de ferro corre nas veias de Minas Gerais, condição que muito contribui para que seja garantida ao País liderança global nesta atividade. Uma dimensão econômica de enorme relevância, porém sem a desejável – e justa, sobretudo, – contrapartida. No rastro da exploração ficaram crateras abandonadas, terrenos que não tendo sido adequadamente protegidos perderam toda serventia. Tudo sem que ao Estado restassem compensações minimamente razoáveis, muito menos projetos estruturados de recuperação econômica. A Vale, assim como as demais mineradoras que continuam operando no Estado, brasileiras ou estrangeiras, carregam este peso. E uma enorme dívida que está por ser liquidada.
Os acontecimentos presentes, indicativos suficientes de que as lições de Mariana e Brumadinho, apesar de toda a comoção ocorrida, não foram talvez sequer percebidas na sua integridade. Os fatos agora sob holofotes podem estar simplesmente demonstrando que cuidados elementares, sobretudo aqueles que dizem respeito à segurança de tudo e de todos, prosseguem longe do ideal, talvez sequer do aceitável. E algo tão grande que não dá mais para esconder ou tentar fazer de conta de que tudo não passaria de alarmismo injustificado.
Cabe entender que esta seja efetivamente a posição do Tribunal de Justiça e de seus desembargadores. Sem margem para protelações ou para acomodação, com integral sentido de responsabilidade e de urgência. Nada que possa ser contornado como é tão comum nessas situações. Para que o peso das falhas e erros cometidos sejam afinal sentido nos bolsos e venham assim as soluções que não podem esperar.
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